A escola é um ambiente gerador de comportamentos e ideais baseados em modelos ideológicos imposto pela sociedade. Partindo desta concepção, o ambiente escolar cria padrões comportamentais que influenciam no cotidiano dos alunos e na forma como os mesmos vêem as diferenças que estão ao seu redor.

Cabe ressaltar que a sociedade brasileira tem dificuldade em respeitar as diferenças étnicas, sociais e culturais, o preconceito e as práticas de discriminação são difundidas por todo o país, mascarados com idéias de caráter liberal, tais como, igualdade de raças, justiça social, democracia, entre outros. Independente de qualquer situação, os direitos e as igualdades são garantidos pelo art. 5º da Constituição Federal brasileira.

No entanto, cada indivíduo é uma construção única, conforme Aristóteles (360 a.C.). Neste sentido, se faz necessário compreender cada um na sua individualidade. No ambiente escolar freqüentado por indivíduos de várias faixas etárias, etnias, classes sociais, não se pode olhar todos de maneira uniforme, mas sim cada um na sua essência.

Em uma sociedade dividida em classes, aquela que domina as demais faz tudo para não perder a sua condição de dominante. Então, quem domina sabe que é mais fácil e eficiente que essa dominação seja feita pelo convencimento, para que essas idéias tornem-se as de todos, impondo-se sobre toda a sociedade. Usam todos os mecanismos, a comunicação, a escola, a igreja e outros aparelhos ideológicos, convencendo da verdade de suas idéias e, assim, a maioria inconscientemente deixa ser guiada por elas.

Muitos estudos e idéias acabam sufocadas, pois o interesse de uma classe dá crédito a determinados tipos de informação, é o caso do estudo sobre gênero. Existem poucas obras sobre a construção do gênero. No livro No Coração da sala de aula, a escritora Marília Pinto de Carvalho assim descreve:
“Embora a produção historiográfica, escrita principalmente por mulheres, tenha procurado nos últimos tempos contemplar as relações de gênero, nem sempre estas mereceram papel destacados nas investigações, o que pode ser explicado também pelo fato de o conceito ser recente e que a história, como disciplina antiga e elitista, é escrita por homens. O movimento feminista que eclodiu na década de 70 do século 20 assinalou um momento em que as mulheres reconheceram-se como sujeitos históricos e como tal passaram a ser tanto objeto de estudos como pesquisadoras do tema”.

É comum existir discriminações, de raças, idade, classe social, e não seria diferente entre os gêneros, pois o real significado da palavra gênero não está associado à estrutura física do ser humano, mas sim em sua formação psicológica. O gênero não significa homem e mulher tal como nascem, mas tal como se fazem com diferentes poderes, comportamentos, sentimentos. É assim que o gênero determina coisas tão diferentes, como, por exemplo, na estrutura do mercado de trabalho, no comportamento dos consumidores e na divisão da propriedade. Essas atividades não se situam apenas no nível das relações de produção, mas estão intrinsecamente ligadas com a realidade cotidiana das escolhas afetivas que se fazem ao longo da existência.

A educação exerce papel determinante nas relações sociais, familiares, trabalhistas e entre os sexos, acarretando modificações nas mulheres e no seu modo de vida. Muitas práticas simbolicamente articuladas à feminilidade ou à masculinidade podem adquirir significados diferentes se exercidas por homem ou por mulheres. Por exemplo, os homens que optam pela carreira do magistério, especialmente junto às séries iniciais, são defrontados com uma contradição, pois o modelo de prática pedagógica dominante na cultura escolar, está intensamente associado às características tidas como femininas.

Contudo, as soluções para essa contradição são múltiplas, e vão desde a ruptura com os modelos convencionais de feminilidade e masculinidade, ruptura que pode incluir referências aos ideais do “novo homem” ou do “novo pai”; até a recusa do modelo de professor que “cuida”, reforçando aspectos que se considere masculinos, tais como a transmissão de saberes ou o exercício de autoridade sobre os alunos; passando por todos os tipos de acomodações e ressignificações, da identidade de gênero ou ao modelo de professor ideal.

A sexualidade foi vista, ao longo da história, com bastante receio e preconceito por grande parte da população. A questão da sexualidade é complexa, permeia todas as classes sociais, sendo que o desconhecimento provoca distorções no comportamento e diferentes visões sobre o comportamento.
A sexualidade é um dos aspectos fundamentais da vida infantil e será impossível fazer de conta que ela não existe. Ela nasce com a criança, desenvolvendo-se em várias etapas. O instinto sexual é inato, no entanto, a maneira de lidar com a sexualidade é aprendida, não é exclusiva da vida adulta.

Essa temática no dia-a-dia da escola praticamente não é discutida e, quando é feita, muitas vezes é de forma medíocre, também na família há confusão, medo, preconceito e desinformação. A sexualidade é parte decisiva da vida e na felicidade das pessoas. Portanto, é necessário falar sobre sexualidade, quer em atitudes na sala de aula, na família, e em outros espaços sociais, dos alunos.

A educação sexual pode contribuir na formação e construção de idéias que possibilitam mudanças sobre o comportamento sexual, sem falsos pudores, refletindo sobre a vida íntima de cada indivíduo e sua relação com o outro e com a sociedade. Para que esta contribuição aconteça, é necessário que o trabalho seja feito desde o primeiro momento, ou seja, na família, na escola, e nas instituições de um modo geral.