O Vaticano divulgou uma nova lista de pecados: fazer modificação genética; poluir o meio ambiente; causar injustiça social; causar pobreza; usar drogas e – pasmem – tornar-se rico. Que ninguém mais ouse andar de automóvel, pagar impostos, tomar remédios e trabalhar duro para ter uma vida digna! É pecado ficar rico honestamente, agora!

Alguns líderes religiosos continuam hipócritas como sempre. Não os culpo; é seu mister serem hipócritas.
Há pouca lógica nessa história de pecados, como também há pouca lógica na existência de um único deus. Deus é deuses. Curiosamente, basta lembrar dos Elohim da Bíblia. Mas, o que importa se ficasse provada a existência de Deus ou deuses?

Ninguém escapa de si mesmo. Tampouco da morte. Assim também será com os que inventam novos pecados. Ah, a vida! Louca história de terror! Aliás, por falar em história de terror, o Velho Testamento é um livro de terror que deixa Stephen King morrendo de inveja.

O Velho Testamento é uma das histórias de terror mais incríveis. E, se o leitor notar, em alguns trechos ela é pornográfica (Onan, por exemplo!), digna de um Pitigrilli ou um Carlos Zéfiro.
Num mundo onde se vive atrás de muros ou cercas elétricas, ninguém pode ser considerado normal. Muito menos o pessoal do Vaticano.

Os deuses, se de fato existirem, são estultos, néscios ou loucos: permitem aos rapinantes e vadios como os políticos corruptos uma vida longa, farta e faustosa, enquanto aos mais humildes, trabalhadores, esforçados e inteligentes, aplica-lhes o azorrague inclemente de um destino sombrio e miserável.
Os deuses são descartáveis, a história nos ensina.

Novos pecados são inventados. Ficar rico, agora, é um deles, disse o papa e a turma “santa” do Vaticano. Ou é má-fé ou estupidez! Por acaso, o papa e os outros sinecuristas não vivem na opulência? E o que falar dos “bispos” das igrejas evangélicas? São os executivos de Deus, como disse uma vez alguém. Mas alguns desses “executivos de Deus” precisam de tratamento psicológico, não de um deus propriamente dito. Deus é só uma conjectura.

Mas o animal intelectual estupidamente chamado homem é forte, mesmo aterrorizado por sua sinistra condição humana, mesmo amedrontado pelo fim que pode chegar a qualquer instante, ele prossegue, um anjo-demônio de carne e osso em peregrinação pela estrada do tempo. Mas esta estrada tem um fim na barreira da morte? Tomara que sim! Vai ser difícil agüentar a natureza dual dos homens num além-mundo! Ainda somos humanos, demasiadamente humanos.