Após mais uma longa jornada de trabalho, chegando em casa, sobre a cama estava a encomenda mais esperada dos últimos dias, o DVD “Senna”. Tão logo abri a caixa, me pus a assistir ao filme/documentário. Sem sombra de dúvidas, é lindo, emocionante, marcante. Toda trajetória de um grande campeão, alguém que amava incondicionalmente a vitória e aprendia nas derrotas. A qualidade de produção do documentário é incontestável, contudo, não é sobre a obra que desejo falar, mas sobre a reflexão que ela me produziu.

Certa vez, ouvi uma frase que me chamou a atenção e voltou à tona após o filme, dizia ela, “o Brasil carece de ídolos”. Ao vasculhar minha memória, procurei algumas pessoas que talvez ocupem ou ocuparam o posto de ídolos nacionais por algum tempo, mas ídolo não é como fumaça, que num instante está presente e no outro se dissipa. Ídolo é aquele que permanece e que consegue influenciar toda uma geração com seus pensamentos e principalmente com seu agir.

O Brasil passava por momentos de crise, a inflação estava incontrolável, o caos era parte integrante dos lares e das famílias brasileiras, contudo, todos esses transtornos eram deixados de lado nas manhãs de domingo. A nação verde-amarela sentia orgulho de alguém que fazia questão de expor as cores de sua nação nos lares de todo planeta com tanto amor e intensidade. Seus ideais, seus objetivos e, sobretudo, sua conduta passaram a ser respeitados e admirados, enfim, o povo brasileiro tinha em quem se espelhar. Por tais motivos, certifico-me que Ayrton Senna foi o último grande ídolo nacional.

Muitos dos grandes ídolos de uma nação, são provenientes dos esportes, basta olhar Michael Jordan e Mohamed Ali, homens de dedicação e caráter indiscutíveis, pessoas que auxiliaram no progresso de uma grande potência mundial por meio de sua influência gerada por sua índole ligada à suas conquistas. Até mesmo um dos grandes homens da humanidade, Nelson Mandela, rendeu-se ao poder do esporte, ao comprar a ideia de que uma nação, ainda que completamente dividida pela segregação racial, pode ser libertada de um grande fardo da história por intermédio do esporte.

A importância de um ídolo é tão latente que, atualmente, uma emissora de televisão quer saber quem foi o maior de todos os brasileiros. Quem é nosso ídolo? Até que ponto as atitudes de um ser humano conseguem influenciar outras pessoas? Onde se esconderam as pessoas de bem capaz de influenciar toda nossa nação? Em quem podemos nos espelhar? Quem admiraremos? Quem nos fará sonhar, como Josué e Calebe, com a terra prometida? Quem nos proporcionará orgulho de ser brasileiros?

Encerro por aqui com uma frase de um outro grande ídolo social, chamado Martin Luther King Jr.: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Que as pessoas boas do nosso país sejam capazes de transformarem-se em ídolos influenciadores, heróis capazes de provocar tamanho alarde a ponto de transformar essa nação em exemplo.