Ao observar os Jogos Olímpicos de Pequim, torna-se de fácil percepção os esforços e investimentos realizados pela China. Os únicos objetivos do país eram quebrar a hegemonia norteamericana no quadro de medalhas e realizar a mais bem organizada Olimpíada da história. Com exceção apenas do episódio envolvendo Fabiana Meurer, os asiáticos obtiveram êxito. Certamente, os jogos da China servirão de escola aos outros países que daqui por diante realizarem eventos esportivos. O Brasil faz parte desta lista de alunos, pois, além da Copa do Mundo, aspira sediar as Olimpíadas de 2016. E é bom o país estudar bastante, pois, nas matérias infraestrutura e potência esportiva, as notas são vermelhas.

Em uma análise do quadro de medalhas das últimas edições dos jogos, nota-se o fraco desempenho brasileiro, com desvantagem a países menos populosos e mais fracos economicamente. Tal fato é reflexo do descaso do governo com o esporte, tanto em incentivar atletas quanto em proporcioná-los infraestrutura adequada. Excluindo o futebol da lista – pois este é mantido por instituições particulares – não existe outro esporte que conte com organização adequada no país. Muito se encontra no Brasil pessoas interessadas em praticar esportes, mas que possuem seu desejo limitado pela incompetência do governo. Como se não bastasse, além de limitar a formação de atletas, o país ainda desvaloriza os poucos que conseguem profissionalizar-se. Não existe apoio efetivo às únicas pessoas capazes de trazer alegria e orgulho ao povo atualmente.

Caso seja confirmada a realização das Olimpíadas de 2016 no Brasil, será o cúmulo da hipocrisia. É hilário imaginar que uma nação onde o esporte é sucateado seja sede de uma edição dos Jogos Olímpicos. É muito provável que não haja tempo suficiente para tornar o país uma excelência em esportes, mas, se a Olimpíada for realizada no país, é certo que o governo irá investir maciçamente para maquiar o descaso. Será triste assistir pela televisão esportes que nunca puderam ser praticados por muitos brasileiros. Porém, este pode ser o primeiro passo de uma caminhada rumo à otimização esportiva que o país necessita.