No início do século passado, no Brasil, as eleições eram um pouco diferente do que são atualmente. A população concentrava-se em sua maioria nas zonas rurais, aproximadamente 70%. O alto analfabetismo atrelado aos índices alarmantes de dependência econômica e concentração de renda fortalecia a figura do coronel. Nessa época, o voto não era secreto e o coronel forçava seus empregados a votarem naquele que ele achasse melhor, segundo os seus interesses pessoais. Para garantir que seus agregados cumpririam nas urnas com o que fora estabelecido, os coronéis escreviam na cédula o nome do sujeito que deveria ser votado, entregando aos pobres capachos.

Como a maioria não sabia ler e escrever, acabava votando sem ao menos saber em quem. Também era muito comum os coronéis mandarem jagunços acompanharem os eleitores nas urnas para monitorar o voto e confirmar aquilo que foi ordenado. Quem não obedecia acabava sendo perseguido e até mesmo sofrendo violência física. Essa prática ficou conhecida como “voto de cabresto”. Você sabe o que é cabresto?

Cabresto é um arreio de corda ou couro que serve para prender o animal à estrebaria ou para conduzir sua marcha. É nesse sentido de condução – da condução do eleitor que se fala em voto de cabresto, o que evidencia que o eleitor assim conduzido é considerado como um animal que deve se submeter docilmente à vontade de seu senhor. Foi muito comum no Brasil nos anos iniciais da república, principalmente no interior do país.

Hoje, os tempos são outros e as coisas se modificaram um pouco. Porém, como todo processo evolutivo é lento e necessita a moralização, o voto de cabresto ainda existe, embora com outra característica, sem violência física e sem capangas por perto. Sem generalizar, desapareceu o coronel e o capanga, mas surgiu o candidato e o cabo eleitoral participando ativamente da campanha, abraçando os necessitados, visitando lares menos favorecidos, acariciando crianças, mostrando a imagem e a figura da simpatia.

O cabresto hoje é feito com o poder de persuasão, sem compromisso com a sinceridade daquilo que está sendo prometido. Tudo falácia! Todo esse jogo psicológico de promessas e distribuição de sorriso caracteriza uma forma do voto de cabresto contemporâneo. Para acabar com isso, se faz necessária a conscientização da população, não se deixar levar por falsos profetas da política, que sempre aparecem na hora certa, mas desaparecem quando realmente precisamos.

Vote naqueles que você acha que irão melhorar as condições da nossa gente, não porque fulano ou beltrano o qualificou como o melhor. Antigamente, éramos influenciados pela força, agora pela retórica. Somente tendo personalidade é que poderemos arrancar de vez o cabresto que nos colocaram a mais de 100 anos atrás, e que até hoje permanece.