A atual paisagem do sul de Santa Catarina é resultado, sobretudo, da grande imigração italiana ocorrida no fim do século 19 e início do século 20. Uma das maneiras de compreender os fatores do desmatamento na região é por meio da história ambiental, uma metodologia que possibilita compreender as ações humanas e seus impactos na natureza através dos tempos. Até o século 19, a Itália era dividida em diversos reinos com diferentes leis e senhores. Os privilegiados proprietários arrendavam as terras e exploravam os camponeses. As condições de vida dos agricultores italianos eram difíceis, marcadas pela miséria e a insalubridade. As dificuldades político-econômicas causaram desestruturação na sociedade do período, forçando os camponeses a emigrar.  

Milhares de italianos se aventuraram em uma viagem até a América para realizar o sonho de ser proprietários de terras, fazer fortuna e garantir uma vida com mais conforto para a família. É fato que o governo brasileiro e as empresas de colonização não cumpriram totalmente com as promessas feitas aos colonos, porém, a determinação e a falta de opção dos imigrantes os forçaram a trabalhar e tentar progredir em condições adversas. No fim do século 19, por meio de iniciativas governamentais e privadas, foram criadas diversas colônias para imigrantes italianos na região sul de Santa catarina. Este período também representa uma extrema e infeliz guinada para a história da natureza local. A introdução de colonos europeus provocou um acelerado desmatamento das florestas, ocasionando desequilíbrio e conflitos socioambientais. De acordo com o padre italiano Luigi Marzano, que esteve como missionário na região, a coivara – queima da vegetação para adubagem da terra com as cinzas – era um sistema utilizado para o plantio nas colônias. No século 20, o ambiente foi ainda mais exaurido em seus recursos com a extração do carvão mineral. Em resumo, a história da colonização italiana no sul catarinense é também uma história de devastação ambiental.

Atualmente, precisamos reconsiderar a colonização sob uma perspectiva que extrapole o discurso oficial e memorialístico. A vegetação nativa da região sul do estado sofreu notáveis alterações ao longo do tempo, onde a vegetação nativa cedeu lugar às lavouras e habitações – observadas como símbolos do progresso e do triunfo humano sobre a natureza. Os imigrantes não avaliaram os ganhos futuros proporcionados pela preservação, porém, seus descendentes podem entender a história e projetar um futuro mais sustentável.

Hoje, os movimentos migratórios, a agricultura e a criação de animais precisam ser repensados sob a crítica da história, pois os recursos são finitos e a sustentabilidade na nossa relação com a natureza se faz urgente. Afinal, o equilíbrio no uso dos recursos naturais é fundamental para a continuidade da trajetória humana no planeta terra.