Sucesso pode ser a felicidade, mas, afinal, o que é ser feliz? Somos criados dentro de uma cultura capitalista que nos faz crer, desde crianças, que dinheiro é muito importante. Sem dinheiro, não podemos comprar as coisas que queremos, não temos poder, sem ‘grana’ não dá para ser feliz. Crescemos então com a idéia fixa de que precisamos acumular dinheiro para conquistar a felicidade.

E essa idéia fixa tem estragado a vida dos empreendedores. Envolvidos por esta falsa ilusão, o jovem em início de carreira atém-se muito às suas necessidades materiais, não tem dinheiro para fazer uma boa faculdade, mora em um apartamento minúsculo, conta as moedas para almoçar. Em um primeiro momento, este incômodo é que alavanca o seu crescimento.

A ambição, em primeira instância, leva o jovem a construir, sofregamente, uma vida melhor em termos de condições básicas à sua sobrevivência. A determinação e a perseverança que movem o jovem empreendedor são construídas com base nos valores materiais. Qualquer outro objetivo é visto como hipocrisia aos olhos deste jovem sonhador, pois as suas necessidades básicas só alimentam a convicção inicial de que o dinheiro está por trás da felicidade.

O problema surge quando, em um determinado ponto da carreira, este jovem empresário se vê diante de escolhas que deve fazer com relação a outros aspectos da sua vida, sejam ligados à família, aos amigos, à sua saúde ou ao espírito. Mesmo tendo um ótimo padrão de vida, segundo os conceitos materialistas, as suas escolhas continuam o levando à constante busca do poder e do capital. A sua ambição passada o cega e o impede de ver que o caminho da felicidade envolve abster-se dos valores puramente materiais e investir mais no relacionamento com os filhos, jantares com amigos, busca por uma razão para sua existência, ou qualquer outro valor que permeia a sua vida como um todo.

A felicidade, assim, está neste equilíbrio. Não podemos fugir das necessidades financeiras, pelo menos enquanto vivermos nesta sociedade. Mas temos que ter a coragem de direcionar as nossas prioridades em função de nossas conquistas, determinar um limite para ter um padrão de vida aceitável, e, ao atingi-lo, permitirmos focar as ações em torno de outros elementos tão ou mais importantes que o dinheiro.

O projeto de vida é importante porque estabelecemos metas. Se você definiu que em dez anos quer ser remunerado pelo seu trabalho em R$ 10 mil, pois sabe que este é um valor que lhe dará o padrão de vida esperado. Ao atingi-lo, você deverá perseguir outros objetivos, sabendo que este foi cumprido. A falta de um projeto de vida pode levá-lo a manter as mesmas convicções da juventude idealista de que o importante é ganhar cada vez mais, como uma falsa ilusão da felicidade sonhada.