A fé cristã nos ensina que o referencial para compreender a dignidade da pessoa humana é Jesus Cristo, palavra de Deus encarnada, rosto humano de Deus e rosto divino do homem. Assim, é a encarnação do filho de Deus, Jesus Cristo, que revela a dignidade sagrada da pessoa humana e seu valor inquestionável.

Se o pecado deteriorou a imagem de Deus na pessoa humana e feriu sua condição de sê-la, a boa nova, que é Jesus Cristo, a redimiu e a restabeleceu na graça. Esta graça atua no coração de toda pessoa humana, sendo fonte de esperança viva, liberdade autêntica, comunhão plena e paz duradoura.

Diante de um clima cultural relativista, que envolve a todos nós, pessoas humanas, Jesus Cristo apresenta-se como caminho certo, verdade segura e vida plena (cf. Jo 14,6).
Diante de uma vida sem sentido, Jesus Cristo nos revela a vida íntima de Deus em seu mistério mais elevado: a comunhão trinitária. É tal o amor de Deus, que faz do ser humano, peregrino neste mundo, sua morada (cf. Jo 14,23).

Diante do desespero de um mundo sem Deus, que só vê na morte o final definitivo da existência, Jesus Cristo nos oferece a ressurreição e a vida eterna na qual Deus será tudo em todos (cf. 1 Cor 15,28).
Diante da idolatria dos bens terrenos, Jesus Cristo apresenta a vida em Deus como valor supremo (cf. Mc 8,36).
Diante do subjetivismo hedonista, Jesus Cristo propõe entregar a vida para ganhá-la, porque “quem salvaguarda sua vida terrena, perdê-la-á” (cf. Jo 12,15).

Diante do individualismo, Jesus Cristo convoca a viver e caminhar juntos. A vida cristã só se aprofunda e desenvolve-se na comunhão fraterna (cf. Mt 23,8).
Diante da despersonalização, Jesus Cristo ajuda a construir identidades integradas. A vocação, a liberdade e a originalidade são dons de Deus para buscar a plenitude em uma atitude de serviço a Deus e ao próximo.

Diante de exclusão, Jesus Cristo defende os direitos dos fracos e o direito a uma vida digna para o ser humano. Esse, imagem vivente de Deus, é sempre sagrado, desde a sua concepção até a sua morte natural, em todas as circunstâncias e condições de sua vida.

Por isso, os seguidores de Jesus Cristo assumem a promoção da dignidade da pessoa humana diante das várias formas de desrespeito a vida: manipulação genética, aborto, eutanásia, esterilização, comercialização do sexo, do corpo, bem como as diversas formas de violência.

Diante das estruturas de morte, Jesus Cristo faz presente a vida plena. Por isso, Ele cura os enfermos, expulsa os espíritos maus e compromete os seus discípulos na promoção da dignidade humana e de relacionamentos sociais fundados na justiça e na misericórdia.

Diante da natureza ameaçada, Jesus Cristo nos convoca a cuidar da integridade da criação, defendendo-a e preservando-a, para abrigo e sustento de todas as pessoas humanas, dos animais e de todo o ecossistema, em respeito às gerações futuras.
Feliz a humanidade que coloca como referencial de sua dignidade o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo.