Juliano Schiavo
jornalista, escritor, mestre em Agricultura e Ambiente e professor de ciências e biologia
jssjuliano@yahoo.com.br

Na mitologia grega, Sísifo era considerado o mais astuto dos seres humanos, colocando os deuses gregos em situações embaraçosas. Pelas suas ações, Sisífo foi condenado, por toda a eternidade, a rolar uma grande pedra até o cume de uma montanha. Toda vez que Sísifo alcançava o topo, a pedra rolava montanha abaixo. E ele deveria retomar o trabalho eternamente.

Se pararmos para pensar, muitas vezes, podemos nos comparar a Sísifo. Em certas situações estamos presos a uma condenação – mentalmente – eterna, ou seja, ficamos presos às culpas que carregamos, muitas das quais nós mesmos nos colocamos sem perceber.

Quantas vezes nos culpamos por situações que não estão em nosso controle? Apedrejamo-nos, diariamente, por não atender expectativas alheias, que não nos fazem felizes, mas que queremos atender para agradar ao outro, ou fingir uma falsa felicidade? Qual o peso temos carregado? Qual culpa nos corrói?

Quando reflito sobre essas perguntas, penso na situação de Sísifo: qual pedra estamos rolando montanha acima e, por uma força invisível, quando quase estamos chegando ao cume, essa pedra retorna novamente ao início de tudo para que a empurremos montanha acima? No final, a culpa que não nos cabe, que acreditamos ser nossa, é nossa grande pedra.

Cada pessoa é única e nenhuma dor pode ser medida por qualquer régua. Cada um sabe a intensidade da dor e o quanto certas culpas as afetam. Por isso, nada melhor do que reservarmos momentos para refletir sobre a vida, sobre os passos dados e sobre as culpas que, tal como pedras, carregamos sem ter realmente necessidade.

Será que certas culpas são realmente nossas, ou as absorvemos com aquela necessidade de sofrermos para exorcizá-las – mesmo não as exorcizando? Vale a reflexão.