Domingo, 20 horas. Levo minha irmã à emergência do HNSC com sintomas de uma forte virose. Preenchemos o formulário para sermos atendidos primeiro por um técnico em enfermagem e depois esperar pela boa vontade de um só médico que estava lá para atender pacientes do SUS, Samu, Corpo de Bombeiros e os que vinham tropeçando pelas ruas. Aproximadamente umas 30 pessoas para serem atendidas. Não aguentando a dor, e passando da meia-noite, perguntamos o porquê da demora.

“Meu senhor, apenas um plantonista para atender todos os pacientes que vem de toda a região e arredores do município”. Se a administração sabe há muitos anos que nossa emergência é um caos, por que não colocar mais médicos plantonistas? Sabemos que custa dinheiro, mas o povo precisa de atendimento. Custe o que custar. A saúde em primeiro lugar.

Um lance de escadas mudaria toda a situação! Fomos nos informar quanto ao atendimento no “setor do cifrão $$”. “Aqui a consulta, todos os exames e a medicação serão particulares”. Ela tem um plano de saúde, mas, com a urgência, esqueceu a carteira em casa.

Não interessava, entrando ali, era considerada “particular”. Resolvemos arriscar. Foi prontamente atendida. Parecia atendimento de hotel cinco estrelas. Lá estava o médico “recepcionista”. Colocou-a na maca, examinou-a, deu medição e pediu-lhe que repousasse um pouco. Quase 1 hora da manhã, resolveu nos liberar. Para nosso espanto, foi cobrado R$ 20,00 por ter ficado em repouso, mais a medicação e consulta, totalizando R$ 120,00. Tentei reclamar pelo absurdo. Foi em vão. Exigi recibo para abater no Imposto de Renda, idem.

O médico estava atendendo outra “vítima” e demoraria a retornar e colocar seu carimbo com o CRM no recibo. Mais um trouxa voltou para casa sem seus direitos de cidadão. Direito à saúde. Fico a pensar: caso esta cidade fosse administrada por um médico que colocasse a saúde em primeiro lugar, postos de saúde decentes e que funcionem, talvez não haveria tantas críticas com estas duas administrações. Ah, não sou filiado a nenhum partido político. Sou apenas um cidadão tubaronense que clama por respeito. Na hora de caçar votos, vale tudo. Na hora de pôr em prática, tudo é impossível.