Recentemente, ouvi de um estudioso que a cidade de Tubarão, se não fosse a inundação de 1974, estaria hoje com uma população superior a 170 mil e que o êxodo provocado pela catástrofe desacelerou o seu desenvolvimento. Não há dúvida de que a destruição com 199 vítimas fatais obrigou a cidade a renascer. A Unisul, por exemplo, reconstruiu-se em função da tenacidade de seus professores e funcionários, que renunciaram, por três meses, aos seus direitos trabalhistas, permitindo que a instituição recuperasse a sua estrutura e o fôlego financeiro.

E se Tubarão tivesse hoje 170 mil habitantes? Quem sabe um pouco menos em função da emancipação de Capivari de Baixo em 1992. Mesmo assim, a cidade não teria acumulado os problemas sociais que hoje incomodam muitos municípios catarinenses que sofreram, nos últimos 30 anos, o boom de desenvolvimento econômico e social.
A justificativa para esta análise é o fato de Tubarão ter sido governada por prefeitos comprometidos com o crescimento social. Não conheço na história administrativa do município uma gestão que tivesse sido negligente com as causas sociais. E isto permitiu que a cidade se estruturasse em comunidades com representações fortes e atuantes nas decisões públicas.

Contudo, esse capítulo significativo da história não elimina os riscos que as cidades brasileiras correm, principalmente no tocante ao avanço incontrolável do mercado de drogas pesadas e da migração que foge ao domínio dos gestores públicos.
Tubarão já convive com problemas, embora longe ainda de se comparar a cidades do mesmo porte que aparentemente estão contaminadas pela violência.

Embora nascido em Orleans, cresci, profissionalizei-me e envelheço nesta cidade de qualidade de vida. Por isso, vejo como alternativas para preservá-la contra os males sociais comuns no Brasil o fortalecimento do espírito comunitário, que é exemplar neste município. Ações públicas desencadeadas com a comunidade, principalmente nas áreas da educação, da saúde e da segurança, podem contribuir, de forma substancial, à preservação e ao crescimento de Tubarão, que deve liderar o desenvolvimento regional a partir da consolidação de soluções de infraestrutura, como a duplicação da BR-101, o aeroporto de Jaguaruna, a ampliação e modernização do porto de Imbituba e a sua ligação férrea com outros portos e centros produtores.

O mais importante para esta próxima década é que Tubarão não perca a sua identidade social, considerando que uma cidade não consegue consolidar o crescimento econômico sem antes pensar e investir na qualidade de vida do seu povo.