Nossa região será fortemente impactada com as obras de infra-estrutura, a tanto solicitadas: Duplicação da BR-101, Aeroporto Regional, melhoria nos portos de Imbituba e de Laguna, e ampliação da malha ferroviária. Próxima da serra e do mar, corredor do Mercosul, com instâncias termais, solo fértil e bacia hidrográfica, – mas ainda praticamente isolada por terra, mar e ar, – nossa região, com estas obras, evoluirá, com certeza, de um paraíso de difícil acesso, para o melhor lugar para receber investimentos.

Este impacto pode ser positivo (mais empregos, por exemplo) ou negativo (aumento da violência e de outros problemas), dependendo do projeto e da articulação do poder público com os demais setores da sociedade. Para maximizar os benefícios, sem ter que viver o caos das regiões que cresceram sem planejamento e prevenção, é preciso pensar e projetar todos os setores para os próximos 20 ou 30 anos. Aqui enfocaremos a imprescindível contribuição do setor educacional para o alcance desta meta.

É preciso relembrar que, cada vez mais, tudo depende da educação de qualidade. Não haverá desenvolvimento sustentável (distribuição de renda e preservação do meio ambiente), domínio responsável da tecnologia, planejamento familiar consciente, saúde, emprego, etc., sem oportunizar educação de qualidade para todos.
Nossa região superou o grave problema do acesso no tocante à educação básica (ensinos fundamental e médio). Não há um(a) só jovem de 7 a 14 anos fora da escola por falta de vaga. O entrave, contudo, está na qualidade.

Embora tenhamos as melhores médias estaduais, o que é destaque nacional, ainda há muito a fazer para superar o baixo rendimento dos alunos e as altas taxas de repetência e evasão, conforme indicam avaliações regionais, corroboradas pelo Saeb (nacional) e Pisa (internacional).
Na educação infantil, o desafio maior – gigantesco, para ser mais preciso – está em propiciá-la, com sucesso, para todas as crianças. Além de imperativo legal, esta etapa da escolaridade constitui-se, na verdade, no sustentáculo das demais. Crianças que a frequentam têm desempenhos muito superiores nas fases seguintes, quando comparadas àquelas que não a frequentaram. Daí ser prioridade das prioridades.

O ensino técnico, capitaneado pelo Cedup Diomício Freitas, Ssenai e Senac, precisa ser reforçado, flexibilizado e desconcentrado para atender às novas e exigentes demandas. Em que pese o consenso, embora tardio, da sociedade sobre a necessidade de melhorar o ensino, os avanços na legislação ao determinar novas diretrizes e percentuais maiores de recursos, ainda insuficientes, a serem investidos pela União, estados e municípios, com severa punição para os que não cumprirem, é preciso fazer o enfrentamento de pelo menos três questões para que a educação dê as respostas de que a nossa região precisa:
1) Desenvolver a cultura da corresponsabilidade – persistem, causando animosidade e imobilismo, as trocas de acusações e transferências de responsabilidades, entre governos, pais, alunos, magistério, cursos de formação de professores e iniciativa privada. É preciso que todos cumpram suas tarefas, claramente definidas em lei, “ajudando-se e exigindo-se”, mutuamente.

2) Promover a articulação interna e externa da escola – ainda há gestões escolares eivadas de amadorismo, relações de compadrio e pseudo auto-suficiência (as soluções para os problemas da escola viriam dos muros para dentro). É preciso elaborar e cumprir projetos pedagógicos que oportunizem a articulação interna da escola, e dela com a comunidade, objetivando socorrer rapidamente os alunos que apresentarem dificuldades de aprendizagem, de saúde e situação de violência.
3) Valorizar integralmente o magistério – Diagnósticos superficiais reduzem todos os problemas de educação aos baixos salários do magistério.

Melhorá-los é necessário, mas insuficiente. É preciso articulá-los com: a) capacitação, focada na diversidade, nas exigências advindas das novas formas de gestão e de produção da economia, na crise de valores, na nova formação das famílias, e nos quatro pilares da Educação (Unesco) e; b) avaliação de desempenho que corrige distorções e premie o mérito.
Não foi falado no atendimento a alunos, em tempo integral, e no aparelhamento tecnológico de todas as escolas que precisa ser paulatinamente implementado. É mais barato, ético e responsável do que lamentar e tentar remediar por não ter sido feito.