Há aproximadamente dez anos, dizer que a pequena e hospitaleira Rio Fortuna seria um exemplo para todo o sul do estado no quesito administração pública era considerado uma heresia por muitos que moravam nas cidades maiores. Como poderia uma pequena cidade que nem sinal de celular tem e que o asfalto era novidade, na época, dar lições aos modernos seres “da cidade grande”? Mas, para o bem da população, isso aconteceu.

Na administração pública, quando ocorre a transição de agentes, principalmente de partidos opostos, acaba acontecendo o sucateamento da máquina. Há um pouco mais de uma década, numa destas transições na “phoenix” Rio Fortuna, o prefeito que assumia encontrou um Voyage e um Gol sem condições de uso. Caminhões e máquinas quebradas e sucateados e uma série de dificuldades.

O tempo foi passando, assim como os administradores, que trataram de irem melhorando com o tempo as coisas. E Rio Fortuna era agraciado frequentemente com recursos das esferas governamentais para obras e compras de equipamentos. Há cinco anos, já tinham a melhor frota do setor de obras da região do Vale do Braço do Norte. A frota era composta, por exemplo, de Fords Cargo enquanto outros municípios viviam a época do 1113 (aliás, ainda vivem).

Mas, como tudo na vida tem início, meio e fim, num Estado Democrático de Direito, cabe à população pela maioria decidir os rumos de sua terra. Quis o povo que a transição de governo que aconteceu no último dia 1º de janeiro fosse entre dois segmentos ideologicamente contrários. E a prova de amadurecimento político e administrativo afloresceu.

Ao invés de sucatear equipamentos, o ex-prefeito Neri Vandresen continuou seu trabalho e entregou ao sucessor Silvio Heidemann máquinas e veículos que não chegaram a rodar em sua gestão, não pela falta de pneus ou motor, mas pelos feriados de final do ano.

A frota, que já era elogiável, teve o reforço de uma pá-carregadeira, dois automóveis (Uno e Gol) novos e um trator de pneus. Se não bastasse isto, no último dia do mandato, chegou uma escavadeira hidráulica. Detalhe: todos pagos e, só para constar, dia 15 de janeiro (data aproximada) chegam dois novos ônibus para o transporte escolar, estes, sim, financiados em sete anos.

A lição deixada logicamente não deixa de ser obrigação do agente público. O sábio mestre de direito administrativo Elly Lopes Meireles escreve em sua obra que os bens públicos devem sempre ser modernizados, constituindo assim um dever do administrador. Mas como este tipo de situação é rara, merece destaque.
Sai de cena Neri, que encerrou o período de reconstrução, e entra Silvio, com suas idéias e propostas. Ajustes serão feitos, até porque não chegamos ao nível de perfeição. Mas o que se espera é que, daqui a uma década, este texto não esteja superado, e sim aperfeiçoado. E que as cidades “grandes” da Amurel espelhem-se no que foi feito naquele município e copiem o exemplo deixado.
Sucesso aos novos administradores de Rio Fortuna.