Sob o domínio avassalador da televisão e da internet, as crianças e os jovens de hoje tornaram-se escravos das telas dos televisores ou dos computadores. Isso deixa as novas gerações sem rumo, sem valores, sem ideais. Por isso, nada mais importante do que reavivar e disseminar a prática do escotismo.
A palavra origina-se diretamente de “scouting”, expressão inglesa usada por Baden-Powell (herói de várias guerras de dominação colonial inglesa, na Índia, na Criméia, no Transvaal e na Rodésia), no manual que escreveu e acabou por ser adotado em escolas britânicas.

O nome do livro, Aids to Scouting, sugeria ideias de apoio à observação militar, no que seu autor revolvia a origem da palavra. Na verdade, é um termo latino. Vem de “ascultare”, que significa apalpar, explorar. Era o método com que os clínicos diagnosticavam as doenças. Digo diagnosticavam, porque hoje essa função está entregue, com muito mais acerto, à máquinas, como tomografia e ressonância magnética.

Pois, da observação militar (“to look around”, segundo o “Merriam – Webster Dictionary”) Baden-Powell partiu para a contemplação da natureza, e fez disso um magnífico movimento de educação da infância e juventude, de modo a treiná-las e capacitá-las a uma vida sadia, em plena harmonia entre si e com o meio ambiente.
Neste domingo, 24 de janeiro, há exatos 102 anos, o tenente-general do Exército Britânico , Robert Baden-Powell, fundou o escotismo, organizando o primeiro grupo escoteiro, na Inglaterra.

Imediatamente, esse movimento tornou-se uma verdadeira febre mundial. E permaneceu assim durante toda a primeira metade do século passado.
O escotismo formou o caráter de pessoas notáveis, como o papa João Paulo 2º; os presidentes Bill Clinton, Barack Obama, Washington Luiz e Juscelino Kubitschek; o fundador da Microsoft, Bill Gates; o biólogo francês, Jacques Cousteau; o ex-primeiro-ministro inglês, Tony Blair; os ex-governadores de São Paulo, Mário Covas e Geraldo Alckmin.

Infelizmente, o movimento escoteiro perdeu, nas últimas décadas, a força que tinha nos anos 1950 e 1960. Por outro lado, reduziu-se, fortemente, a convocação dos nossos jovens para prestarem o serviço militar, nas forças armadas, fator importante para a formação do caráter, da disciplina e da cidadania
A nossa infância e juventude estão reféns da antieducação de massa, da qual emergem a narcodependência e todas os outras ameaças que a família enfrenta, hoje, para a formação dos menores.

Hoje, mais do que nunca, é imperioso lembrar que na Carta de Despedida, pouco antes de completar 84 anos, Baden-Powell deixou esse conselho aos seus escoteiros: “Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram”, e que a Lei Escoteira tem como principais conceitos e valores, esses: honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso e respeito pela propriedade, confiança.
Já imaginaram como as coisas seriam mais fáceis e menos decadentes se esta tábua de leis continuasse a ser disseminada, pelo escotismo, aos jovens de todos os continentes?