Emilly Fidelix
Doutoranda em História Cultural – Universidade Federal de Santa Catarina

Assim que se aproxima o dia 8 de março e as discussões sobre o Dia Internacional da Mulher, a trágica história de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1857 (as datas divergem, aparecendo as vezes como 1911) vem à tona. Textos ressaltando a morte de cerca de 130 mulheres em protesto, que acabaram morrendo queimadas, reacende os perigos da internet: a informação sem consulta de veracidade.

A data em que se homenageia e se reflete sobre as questões do feminino, no entanto, tem contornos múltiplos, motivados pelas próprias mulheres. Em períodos marcados por sociedades fortemente dominadas pela presença masculina nas mais diversas esferas, movimentos femininos reivindicavam o direito a um lugar e posicionamento nas decisões daqueles contextos. Assim, a criação da data foi predominantemente marcada principalmente por reivindicações políticas, por direito ao voto e ao trabalho.

A criação da data está ligada à alemã Clara Zektin, operária que atuava em prol das causas defendidas pelas trabalhadoras. Em 1891, Clara fundou a revista Igualdade, que circulou por mais de uma década, ainda, chegou ao posto de deputada na Alemanha, atuando como defensora de maior atuação das mulheres no mundo da política. Em 1910, direto da Dinamarca, em uma Conferência Internacional voltada para mulheres trabalhadoras, Clara apresentou uma ideia que visava unir as mulheres pelo mundo: um dia específico para falarem de seus desejos, buscas, lutas. Com grande aprovação no evento, uma data comemorativa ao dia da mulher fora comemorada, então, em 1911. Naqueles tempos, passeatas por países como Suíça e Alemanha uniram muitas pessoas, especialmente mulheres que tornavam claros os seus incômodos: direito ao voto, ao trabalho; e a busca pela igualdade.

O dia 8 de março tornou-se o dia fixo para tal celebração no ano de 1913, pouco antes da I Guerra Mundial, quando mulheres russas realizaram passeatas reivindicando a paz. A oficialização da data, no entanto, deu-se apenas em 1977, pela Organização das Nações Unidas.

Para terminar, gostaria de deixar dois dados para você, leitora e leitor, refletirem: O direito a trabalhar fora de casa sem a permissão dos maridos foi obtido pelas mulheres em 1962. As mulheres conquistaram direitos iguais aos dos homens em 1988.