Matéria publicada neste jornal no mês de novembro do ano passado (de responsabilidade de Zahyra Mattar) mostrou que somente Jaguaruna conseguiu aumentar a quantidade de moradores na região da Amurel com consequentes vantagens na fatia do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que envolve o retorno de recursos por parte do governo federal. Outro município, Sangão, também pode ter aumento populacional mas ainda não se tem informação precisa.
 
O que se passa com Jaguaruna chama a atenção. Não é um município com segmentos econômicos fortes, destacados, que expliquem a mudança. Entretanto, é possível identificar alguns vetores que resultam nesta força de desenvolvimento local.
 
Em primeiro lugar, estão as características da propriedade rural. Esta está completamente socializada, sem nunca ter sido feita reforma agrária. De um modo geral, medem de cinco a 50 hectares, com apego muito grande por parte de seus proprietários  e descendentes. Como consequência, não há êxodo rural.
 
O segundo ponto importante é a geomorfologia do território jaguarunense. É plana, com cotas acima do nível do mar, sem elevações, sem  cortes de drenagem, terrenos facilmente trabalháveis por serem, na maior parte, sedimentos arenosos da costa marítima. Trata-se, na verdade, de um recurso natural extremamente valioso. Por consequência, não existem alagamentos, enchentes, deslizamentos e outros fenômenos da natureza que prejudicam seriamente as grandes concentrações urbanas, e dificultam a execução de moradias mais simples. É mais em conta construir uma residência nessas condições do que nas primeiras elevações da Serra do Mar, região fisiográfica que abrange os municípios vizinhos situados a oeste e norte.
 
Outro fator interessante é a equidistância geográfica entre os dois polos econômicos da região sul, Criciúma e Tubarão. Jaguaruna está a 22 quilômetros das duas cidades pela rodovia BR-101. Isto significa que um morador do município tem opções de trabalho bastante amplas, podendo desempenhar funções na abrangência das duas cidades.
 
Como exemplo podemos dizer que, utilizando-se do transporte com ônibus, é mais fácil um cidadão jaguarunense trabalhar no bairro São Cristóvão em Tubarão do que um tubaronense que more na Madre chegar no mesmo bairro.
Outro vetor desse aumento populacional é a ocupação maior das praias, notadamente Camacho e Garopaba do Sul, impulsionadas pela pavimentação da rodovia, que ficou famosa pelos vários movimentos reivindicatórios, e que deu outro curso para o trecho que liga com Laguna e o Farol de Santa Marta.
 
A par de tudo isso, um empresariado que tem feito grande esforço para alavancar o desenvolvimento do município. São comerciantes de material de construção, construtoras, comércio varejista de eletrodomésticos, indústria de confecções e, sobretudo, iniciativas de abertura de loteamentos, com infraestrutura moderna e condições facilitadas para pagamento, mudando o perfil da urbanização de Jaguaruna. A cidade dobrou o número de ruas nos últimos dez anos.
 
Agora só falta o início das atividades do aeroporto para melhorar a sintonia fina desse surto desenvolvimentista que estamos vivenciando.