Diante das atuais taxas de crescimento do país e do conseqüente incremento da demanda por energia elétrica, torna-se imperiosa a busca de alternativas que garantam tranqüilidade aos brasileiros. Para garantir energia que sustente o crescimento anual do PIB de 4% a 5%, o país necessita de um acréscimo de oferta equivalente a isso ou pouco mais: algo como 1% além do PIB. Isso para manter um risco de não-atendimento inferior a 5%, o que é ideal quando se trata de um insumo tão importante para o crescimento econômico. Infelizmente, não estamos nesse nível ideal de risco. A situação é bem pior.

Para que a geração energética acompanhe o crescimento econômico do Brasil, é preciso aumentar o ritmo da ampliação do parque energético. Algumas projeções indicam que é preciso produzir no mínimo quatro mil MW a mais por ano – o equivalente a uma Itaipu a cada triênio. Visualizando esse cenário sob a ótica do desenvolvimento sustentável, as Pequenas Centrais Hidrelétricas, embora não sejam capazes de, sozinhas, resolverem o problema (seriam necessárias 150 novas PCHs de 30 MW cada, por ano, para atender o crescimento atual da demanda brasileira), destacam-se como alternativas de geração limpa e implantação mais rápida que os grandes empreendimentos.

Tratam-se de projetos de baixo impacto ambiental, menor volume de investimentos, potência limitada a 30 MW, simplicidade na concepção e na operação, custo de transmissão reduzido, prazo de conclusão mais curto e maior facilidade na liberação de licenças ambientais. Os reservatórios têm, em geral, menos de três quilômetros quadrados de área inundada, o que reduz os impactos – já que são usinas a fio d’água, sem capacidade de acumulação.

Atenta a essas oportunidades, a Engevix, maior empresa de engenharia consultiva do Brasil, investe em projetos de geração de energia, com atenção especial às PCHs e às usinas de médio porte. A empresa pretende chegar a 2009 fornecendo 200 MW ao parque elétrico brasileiro e, para isso, está envolvida em vários empreendimentos no país, focados em pequenas centrais hidrelétricas e na UHE Alzir Antunes – Monjolinho –, de 75 MW, ora em construção.
O Brasil, que produz mais de 80% da energia elétrica a partir da geração hidráulica, deverá desenvolver cada vez mais o potencial de geração por meio das PCHs.

Os empreendimentos desse tipo em construção no país totalizam cerca de 1.132 MW e a tendência é que se expandam ainda mais. Há no país fabricantes, construtores e empresas de engenharia aptos a implementar esses projetos. Isso permite a venda direta a consumidores livres interessados em pequenos volumes para suprir as suas necessidades.

Segundo dados da Aneel, a potência das PCHs em operação no Brasil é de cerca de 1.877 MW, da ordem de 2% do parque gerador. Por outro lado, a falta de gás para as termelétricas, o parque nuclear Angra 3 ainda paralisado e os prazos longos para entrada em operação das usinas hidrelétricas de grande porte (as que estão licenciadas) fazem com que as PCHs, que têm muito menos restrições, possam contribuir de forma intensa para atenuar a crise energética.