O jornalismo, quando desempenhado com integridade e serenidade, ultrapassa fronteiras e amplia sobremaneira o número de adeptos em todas as faixas etárias. Os que agem ao contrário, além do desserviço, estão no mercado apenas para servirem de chacota. Em quaisquer circunstâncias a imprensa, seja TV, rádio ou jornal impresso, tem função específica de mostrar os fatos como eles ocorrem, sem jamais desvirtuar de seu curso. Até porque, nos dias atuais, o nível de comportamento e intelectualidade dos cidadãos é muito mais apurado e exigente.

Quando há deslize do profissional, por um motivo ou outro, a cobrança retorna veementemente de maneira censurada. Voltar atrás pode-se tornar uma tarefa bem mais complicada. O dito pelo não dito, às vezes, não chega à mesma proporção da primeira impressão. Por este e muitos outros motivos é que algumas pessoas que estão no ofício igualmente veículos de comunicação perdem, aos poucos, a credibilidade perante seu público.

A restrição bairrista, por exemplo, já não consegue manter-se no mesmo ritmo, devido a interação da rede mundial de computadores. Conceito altamente divisível e de tolhimento do desenvolvimento regional. Mesmo que o órgão de divulgação esteja fora da web, ainda assim as notícias chegam aos mais longínquos rincões com maior rapidez. Quem pensa diferente não passa de um trépido e ingênuo ou declarado retrógrado.

Mas, sinceramente, para uma boa parte de colegas do meio, a notícia quanto pior, melhor. Eis que surge a oportunidade de aumentar a fogueira para ver o caldeirão ferver. Foi o que ocorreu com o caso do vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), de Tubarão. Praticamente o estado todo comentou e lamentou o ocorrido, externando sentimentos ao povo da Cidade Azul. Até aí tudo certo. O que gera indignação é como alguns exploram o fato desvirtuando-o e direcionando-o de forma sarcástica, como se todos fossem culpados. A maior carga, acreditem, está vindo da briosa Cidade Mineira, Criciúma.

Aproveitando o ensejo da desgraça alheia, Ney Lopes lascou em seu blog esta nota. “Frente – Além do maior “shopis” da América Latina, em que cabe toda a população dentro, de ter a única escada rolante que só sobe, da rodovia mais movimentada do Brasil que passa dentro da cidade, que é a BR-101, Tubarão está também na frente de Criciúma com o caso do vereador Jarrão, que virou celebridade depois que saiu no Fantástico. E aquele vereador de Tubarão, hein? Depois dos minutos de celebridade em rede nacional através do Fantástico deve estar dando autógrafos e explicações até agora no “shopis” da Cidade Azul”.

Também colunista de um jornal, o insipiente repórter não se conteve e perolizou mais uma. “Observadores da cena econômica da simpática Cidade Azul, Tubarão, comentam que o caixa-alta Genésio Goulart, dono do Farol Shopping, um dos maiores do sul do país, investiu do próprio bolso perto de um milhão de reais para a instalação de uma superloja Mac Donald’s, que estréia no próximo mês”.

O embaraço do impetuoso jornalista, que troca Jesus por Genésio, é de uma impressionante atrofia memorial. Ele está se esquecendo que a classe política, infelizmente, no Brasil não é vista com bons olhos. E mais, a auréola também não cabe na cabeça da maioria dos políticos da cidade dele. Não faz muito tempo, Criciúma teve um prefeito cassado pela justiça eleitoral – e não precisa nem dizer que ele não foi honesto -, fora os que estão subjudice. Cá entre nós, isto está parecendo mais ciumeira do que uma mera crítica.

Só para não pairar nenhuma dúvida, já passou da hora, porém nunca é tarde para passar a limpo este país de poucas, mas ainda existem ilustres e respeitáveis autoridades públicas. Entendo que todos os políticos, empregados do povo, deveriam ser mais bem investigados, em todas as instâncias judiciais. E, dependendo do caso, deve-se aplicar a penalidade com todo rigor da lei.