Depois de muita luta do povo de Humaitá de Cima, do empenho de diversas lideranças, de incansáveis idas e vindas, de informações e contrainformações, Tubarão terá um novo presídio.

Os problemas ocorridos no antigo serão resolvidos? Haverá ressocialização dos presos? Poderão piorar, na verdade, porque haverá mais presidiários, se medidas pontuais não forem adotadas. Duas situações ganharam notoriedade nacional – o passeio de presidiários em viatura oficial numa praia de Imbituba e o espancamento de presos – demonstrando haver, no mínimo, grave desvio de conduta e disputa de espaço pelos funcionários, que se crê corrigidos com as sindicâncias anunciadas.

Quanto a ressocializar, infelizmente, ninguém acredita. Todos sabem que, nas condições atuais, o detento sai bem pior do que entrou e a reincidência atinge espantosos 85%. Mas é preciso acreditar e fazer acontecer. Em 10 lições da Guerra no Rio de Janeiro, publicado neste espaço, afirmei que o presídio precisa oferecer ao detento apenas duas possibilidades: não mais delinquir e ser reintegrado à sociedade.

Para que isto aconteça, é preciso bloquear o sinal do celular, monitorar conversas com advogados e familiares e confiscar bens. Sem tais providências, urgentes, o presidiário, de trás das grades, continuará na gerência de seus “negócios”. Corrompe cidadãos e autoridades, organiza atos terroristas, como se viu no Rio de Janeiro e anteriormente em São Paulo.

E, quando sair, é mais fácil reforçar suas atividades criminosas – que não foram interrompidas – do que procurar outro caminho. Faz-se imprescindível, inclusive, oportunizar que estudem e trabalhem enquanto cumprem a pena. Juntando os fatos de “mente vazia ser oficina do diabo” e terem interrompido precocemente os estudos, estas medidas lhes tirarão a perspectiva e o ímpeto do crime, acenando com outras formas para ganhar a vida decentemente .

Custa caro? Impagável são as vidas e os patrimônios que os reincidentes subtraem. Além dos multiplicados dispêndios para recapturá-los e mantê-los presos novamente.
Não é demais repetir a necessidade de maior policiamento no local e a manutenção de conquistas como foi o retorno do médico e a agilização dos processos.

Para que o novo presídio, mesmo com o acréscimo do galpão para o regime semiaberto, não seja apenas uma transferência dos problemas do bairro Humaitá para o bairro Bom Pastor, e para que, de fato, paremos de andar em círculo na questão da segurança, concentremos todos os esforços para que as medidas acima citadas, e outras que serão bem-vindas, sejam de fato adotadas.