Está em vigor no município de Tubarão a lei que institui novos horários para o funcionamento de bares e similares. O objetivo é proteger, principalmente, clientes e proprietários sem diminuir lucro e divertimento. Apenas os antecipa, através do saudável hábito de sair de casa mais cedo, entreter-se e retornar mais cedo, de preferência não alcoolizado.

Retornos às altas horas e alcoolizado tem sido a principal causa de, a) acidentes fatais ou com sequelas para o resto da vida; b) violência familiar; c) homicídios, muitas vezes, entre amigos e parentes; d) vandalismo e outros. As bebidas alcoólicas que têm adesão cada vez mais cedo dos jovens e em percentual maior de mulheres, segundo pesquisa da secretaria nacional antidrogas, causam também sérios prejuízos na produtividade e na saúde, além de ser a porta de entrada para outras drogas, nova pandemia do século, responsável por 90% da criminalidade.

Também para os proprietários, o funcionamento dos estabelecimentos, após os horários dispostos na lei (até 24 horas para bares, 2 horas para restaurantes, lanchonetes, pizzarias e churrascarias, ou 4 horas se estiverem climatizados, com isolamento acústico e segurança própria) não lhes trará lucro, somado a perdas na saúde e exposição a assaltos. Ao proibir o consumo de bebidas alcoólicas e reuniões de público nos postos de combustíveis, a nova lei garante as mais elementares recomendações de segurança.

Colateralmente, combate também as perturbações ao sossego alheio e previne a Aids (a probabilidade de um jovem – menino ou menina – praticar sexo inseguro é cinco vezes maior se ele tiver bebido demais, segundo a Unesco).
Esta, e outra 14 medidas preparam Tubarão para crescer (duplicação da BR-101, Aeroporto Regional Sul, Portos de Laguna e Imbituba, Malha Ferroviária) sem a insegurança das grandes cidades. Tivemos, por muito tempo, um homicídio por ano. Em 2008 foram cinco e neste ano já são dez. Aliás, ninguém investe (e cria emprego) em ambientes pouco seguros.

Não é por acaso que o Brasil, com toda a exuberância natural, amargou o 59º lugar entre os 124 países, no primeiro relatório de competitividade em viagens e turismo, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. Na praia de Canavieiras, em Florianópolis, paraíso de turistas argentinos e paulistas e, em Gramado, no Rio Grande do Sul, que dispensa apresentações, a lição foi aprendida e aplicada: todas as portas para o lazer fecham as 2 horas e à meia-noite, respectivamente. Bagunça não atrai bons clientes. É a ordem, a estrutura, a limpeza e o bom atendimento.

Jardim Ângela e Diadema, na Grande São Paulo, Colômbia e Nova Iorque, consideradas pela ONU as áreas mais violentas do mundo, já experimentam os benefícios da redução de 65% das ocorrências policiais ao adotar tal conjunto de medidas.
Espera-se, portanto, que proprietários, clientes e população adotem os novos hábitos. De todo modo, as polícias Militar e Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Juizado da Infância, Conselho Tutelar e Municipal da Infância e da Juventude e o setor de fiscalização da prefeitura, coautores da nova lei, estarão articulados para fazê-la cumprir, preventivamente ou no rigor nela previsto. O futuro da coletividade agradecerá.