Organizadores dos seminários que objetivam prevenir ou diminuir os impactos de outra possível inundação do Rio Tubarão receberam, na última semana, o  secretário de estado do planejamento, Filipe Mello, para falar sobre o projeto de manutenção da calha do referido rio.

 
Justificou que o projeto básico – que custará entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões, e será pago pelo governo do estado – atrasou porque a batimetria realizada pela Cidasc/Deinfra, em 2009, será refeita, por exigência do Ministério das Cidades. Faltando também os estudos de impacto ambiental e a área para destinação do material retirado do rio, alguns com alto teor tóxico. Serão concluídos em 60 dias.
 
Quanto ao projeto executivo, o governo estadual lançará licitação somente após o governo federal garantir os R$ 80 milhões para realização da obra, prevista para dezembro deste ano. Não haverá interferência do calendário eleitoral por ser recursos do PAC. Cumpridos tais  prazos, a obra iniciará em 2013. 
 
Representantes da Area-TB, do Conselho Municipal de Segurança, da Coordenação Estadual da Defesa Civil, do Comitê da Bacia do Rio Tubarão, da Cidasc e da prefeitura lembraram ao secretário o principal ensinamento dos referidos seminários: a complexidade da obra exige  ação técnica interdisciplinar para evitar paralelismos, desperdícios e efeitos colaterais.
 
Lembraram, em decorrência, a necessidade de controle da erosão, proteção e recuperação das margens do rio, vazão atual e necessária, canais extravasores, barragens, sistema de alertas, plano de contenção de cheias, Defesa Civil  preventiva e participante e  da Barra do Camacho.   
 
A não repetição de tragédia, como a de 1974, com maior perda de vidas e bens materiais, devido ao maior povoamento das cidades às margens do rio, depende de um conjunto de fatores e ações. Da incidência de chuvas e vento leste, à participação organizada dos cidadãos na pressão junto aos governos para que as obras acima citadas sejam concretizadas e, nos treinamentos para não assorear o rio e, para saber o que fazer se ele transbordar.
 
Nas inundações, até a de 74, admite-se que a população foi surpreendida. Se houver outra – com tantas informações, tantos alertas, tantas tecnologias, tanto dinheiro público ralo da corrupção, tantas pessoas exercendo mandato e, outras tantas ocupando cargo – será forçoso admitir, no mínimo, incompentência, descompromisso e omissão. As obras acima citadas são esperadas há 29 anos e 195 dias e, se não fosse os seminários, não se falaria sobre o assunto