Os assassinatos e assaltos que estão amedrontando Tubarão já eram previstos e, infelizmente, vão aumentar, se os interesses individuais continuarem sobrepostos aos coletivos.

A operação 121, que prendeu diversos suspeitos e esclareceu muitos daqueles crimes, foi digna de aplausos, mas insuficiente porque as causas permanecem.
Em 2006, quando apresentamos o Projeto de Prevenção e Combate à Violência, advertimos que as pequenas apreensões diárias de drogas eram indícios de que, com o aumento das oportunidades, advindas da duplicação da BR-101 e do funcionamento do Aeroporto Regional Sul, fatalmente esta situação se agravaria, se medidas urgentes e abrangentes não fossem tomadas. O citado projeto visa, portanto, preparar a cidade para se beneficiar do bem-vindo progresso sem, no entanto, ter que conviver com o horror das cidades que crescem sem um projeto de prevenção.

Infelizmente, a violência aumentou antes do aludido progresso chegar, significando que vai piorar. Poderíamos estar com as soluções encaminhadas se aquele projeto não fosse “adulterado”, apenas para manter o lucro de alguns acima da vida de todos. Não que as 14 frentes de trabalho que o compõe por si só significam uma panacéia. Mas foi o remédio utilizado com sucesso por cidades como Jardim Angela e Diadema, em São Paulo e Bogotá, na Colômbia, consideradas pela Unesco as mais violentas do mundo. A sua força está na articulação das citadas frentes e na disposição da sociedade em fazê-lo.

Como a cada dia os fatos são mais evidentes, é importante relembrá-las (frentes) para retomá-las: 1) Respeitar os diferentes (étnicos, estéticos, religiosos etc..); 2) Colocar limites em casa e na escola; 3) Zerar a negligência e a falta de profissionalismo no trabalho; 4) Dar opção de lazer e profissão aos jovens pobres; 5) Fechar bares mais cedo e formar policiais comunitários; 6) Penalização e ressocialização do criminoso; 7) Acabar com a corrupção para evitar que armas apreendidas retornem aos bandidos;

8) Aparelhar e treinar a polícia; 9) Aumentar a eficiência da justiça; 10) Combater o consumo de drogas; 11) Formar um órgão de centralização e tratamento de informações sociais/criminais; 12) Reordenar os serviços prestados pelas entidades governamentais e não governamentais com foco no diagnóstico da criminalidade; 13) Combater a baixaria e a violência, principalmente na televisão; 14) Fazer cadastro do perfil, por bairro, da população em geral.