Fatos e estudos recentes e antigos não deixam dúvidas de que Tubarão está em uma rota de ciclones e sofrerá uma nova enchente. Não estão se referindo apenas ao furacão Catarina, que arrasou parte do litoral sul, tampouco às cheias constantes do nosso rio. Fazem alusão, principalmente, aos vendavais que vêm atingindo fortemente o nosso município e região, e às grandes enchentes que antecederam a de 1974 – ainda viva em nossas memórias devido ao grande poder destrutivo (quase 200 mortos) – e à próxima, que inevitavelmente virá.

Estes desastres ambientais são inevitáveis e, segundo a ONU, cada vez mais frequentes e devastadores. O que pode e deve mudar são os efeitos, que dependerão da nossa capacidade de prevenção e de reação. Portanto, não há tempo a perder. É preciso reunir todas as inteligências possíveis para que elaborem e executem projetos, visando à segurança para a população e para os patrimônios públicos e privados. Com este objetivo, solicitei que a câmara de vereadores, juntamente com a Defesa Civil de Tubarão, realize audiência pública no dia 24 de março do corrente ano, aniversário da tragédia de 1974.

Mapeamento das áreas de risco, incluindo as que alagam com qualquer chuva ou que são comumente atingidas por fortes ventos. Redragagem e monitoramento do Rio Tubarão, desassoriamento de valas e aumento do diâmetro da tubulação e estações de bombeamento devem constituir uma agenda mínima. É preciso investir também no conhecimento e na mudança de hábito da população. Não é possível que o lixo das casas e das calçadas continue sendo varrido para a rua, entupindo bueiros e valas, quando deveria ser acondicionado. Também não é possível continuar cobrindo pátios e jardins com cimento, dificultando a infiltração da água no solo, favorecendo corredeiras e alagamentos, quando se deveria plantar grama.

Quem não se lembra da estudante que, ao perceber certos movimentos nas águas – vistos nas aulas de geografia -, alertou que ondas gigantes aproximavam-se, evitando que mais pessoas perecessem no tsuname de 2004. No Japão, que tem um histórico de terremotos, constroem-se casas e prédios de modo a minimizar os impactos. Regiões próximas de vulcões, que podem entrar em erupção a qualquer momento, têm planos rápidos de evacuação da população.
Enfim, Tubarão precisa adequar-se à realidade de quem, a qualquer momento, pode ser visitado por águas revoltas e ventos fortes.
Lamentar mortes e outras perdas, depois do ocorrido, é inútil e revela falta de visão e de adequação aos novos tempos.