A escola João de Deus foi notícia no Bom Dia Brasil, da Rede Globo, e em outros veículos de circulação nacional. A razão é que no Ideb, índice do Ministério da Educação que mede a qualidade do ensino, arrebatou o primeiro lugar dentre as escolas de ensino fundamental.

Enquanto a média brasileira é 4,6 e a meta para 2021 é 6,0, a João de Deus conquistou 7,8 já em 2009.

A que se deve o sucesso desta escola pública, de Penha, no subúrbio carioca, que não tem instalação moderna, tampouco computador na sala de aula? Segundo a diretora Luciana, não há milagres, mas muito trabalho, comprometimento com o ensino, perseverança e, principalmente, “acreditar que aluno de escola pública tem potencial como aluno de qualquer outra escola”.

Parece simples, mas não é, tanto que, por este feito, a diretora foi considerada, pelo jornal Folha de São Paulo, uma das personagens de 2010, pela lição de liderança e motivação. E, ainda, porque pesquisas demonstram que quando não há expectativa acerca da aprendizagem do aluno, ela não ocorre. Esta ausência de expectativa, para piorar, não tem fundamento científico, mas preconceituoso e do qual os alunos mais pobres, geralmente, são vítimas.

Para a professora Rosilane, investir em escrita, leitura e interpretação de textos é fundamental para que os alunos tenham acesso a temas sociais, como ética, meio ambiente, pluralidade cultural e outros. De fato, quando se utiliza a metodologia de ensino, intitulada Aprendizagem Baseada em Problemas, compreender enunciados é fundamental para resolver questões de todas as disciplinas.

Outro bom costume da escola João de Deus é, frequentemente, reunir seus professores para que discutam “como podem melhorar a maneira de ensinar”.

Os resultados do Saeb, do Ideb e do Enem demonstram também que falta, para muitas escolas, a busca coletiva de formas de ensinar, não somente os alunos  que têm facilidade em aprender. Ensinar considerando o capital cultural dos alunos, qualquer que seja, é o grande e necessário desafio.

Na escola João de Deus, não há milagres, ou melhor, há e é constituído de liderança, motivação, comprometimento, foco na leitura e na escrita em todas as disciplinas e em metodologia de ensino, que considera o que o aluno já sabe.