Eu tive um sonho muito maluco. Estava observando o rio Tubarão na cercania da ponte do Morrotes. Circulavam caiaques, lanchas, jet skis, pessoas velejando e praticando os mais diversos esportes náuticos. Tudo parecia tão real que até mesmo sonhando cheguei a duvidar que aquilo pudesse ser verdade. Mas a loucura continuava. Sem que esperasse, passou uma escuna vinda da cidade de Laguna, cheia de turistas. Aportou nas imediações do centro da cidade e as pessoas desceram para comprar no comércio, deixando dinheiro e fortalecendo a economia do município. Ao descerem da embarcação, eram recepcionados por um ônibus especial, desses que levam os turistas para conhecer as belezas naturais e as opções de lazer de um lugar; assim como fazem as grandes cidades que têm um rio navegável que deságua no mar.

Por mais que me esforçasse para acordar, não conseguia. Assustei-me quando um ônibus que circulava pela rua Marechal Deodoro saiu da estrada e tomou a direção do rio Tubarão. Gritei com toda minha força para as pessoas que estavam por perto. “O ônibus caindo no rio, vai afundar! Socorro!”. Os que me escutaram pensaram estar diante de um maluco. Só entendi depois que o danado começou a flutuar. O coletivo, na verdade, era um daqueles ônibus anfíbios que rodam na terra e podem navegar. Ele cortava a cidade de um lado ao outro e supria as necessidades de transporte dos munícipes em menor tempo, sendo também um atrativo turístico. Chegavam pessoas de todos os cantos do país somente para andar naquelas “belezuras.”

E o devaneio continuou. Naquelas alturas, eu não poderia duvidar de mais nada que meus olhos presenciassem. Ouvi um barulho forte que parecia vir do céu. Olhei para o alto e constatei que um avião estava sobrevoando o centro da cidade. A aeronave parecia estar descontrolada, e o piloto, ao que parecia, desviava para sofrer queda dentro do rio Tubarão. Provavelmente uma manobra para evitar que a tragédia fosse maior e atingisse pessoas inocentes. Pensei dessa vez eu vou gritar sem medo de errar. E gritei: “Avião caindo no rio!”.

A rapaziada me olhou atravessado novamente, virando as costas para me ignorar de vez. Eu não entendia como podiam ficar alheias a uma catástrofe aérea que estava por acontecer. Resignado, voltei os olhos para o provável ponto de colisão da aeronave, não havia muita coisa que pudesse ser feita. Porém, mais uma vez fiquei surpreso. Na verdade, aquele era um hidroavião, e o leito do rio Tubarão tinha se tornado uma pista para as aeronaves. Empresários de fora chegavam para visitar a cidade e investiam nesse lugar tão promissor e cheio de atrações turísticas.

Depois de toda essa evolução que eu não sabia explicar de onde havia surgido, fechei os olhos, curvei as pernas e coloquei as duas mãos na cabeça, tentando entender o que estava acontecendo com a cidade. De repente, senti alguém tocando meu ombro para chamar a atenção. Um sujeito magrinho, olhos fundos, sorriso amarelado. Estava com uma latinha de cerveja vazia na mão, tinha acabado de fumar uma pedra de crack debaixo da ponte do Morrotes. Disse ele: “O maluco, acorda meu!

Eu que fumo o bagulho e tu que fica viajando!”. Nesse momento, meu relógio despertou e eu acordei assustado para a realidade, estava na hora de trabalhar.
Naquele mesmo dia, agora acordado, ao olhar o rio e os locais que eu havia sonhado, tristemente percebi que a única situação real dos meus sonhos é a aglomeração de “craqueiros” embaixo da Ponte do Morrotes.