Santa Catarina progredirá, na produtividade e nos indicadores sociais se governo e magistério avançarem além do pagamento do Piso na Carreira.  
   
Nosso estado caiu no ranking nacional do ensino, segundo o Ideb 2009, relativo às escolas estaduais, porque cresceu menos que os vizinhos. Em 2007, liderava no ensino médio e séries finais (5ª a 8ª série) e era o 5º nas séries iniciais (1ª a 4ª série). Em 2009, manteve-se em 5º nas séries iniciais, mas perdeu a liderança nas séries finais e no ensino médio, caindo em ambos para o 2º lugar. 
 
No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), em que o Brasil amargou a 53ª posição entre 64 países, nosso estado é o segundo “menos pior”. Os alunos brasileiros foram considerados, também, os mais indisciplinados e 50% deles, com 15 anos, não conseguem, dentre outras coisas, encontrar a ideia principal de um bilhete. Segundo o Instituto Euvaldo Lodi (DC 24/04/10), 80% das rescisões contratuais dos estagiários ocorrem por falta de comportamento profissional.
 
Estes jovens, mesmo diplomados, dificilmente permanecerão – se ingressarem – no mercado de trabalho, obstaculizando as próprias vidas e das respectivas famílias, a economia (falta de mão-de-obra qualificada) e a sociedade como um todo. Potenciais vítimas ou autores da crescente criminalidade, eles demandarão, pelo menos, mais segurança e saúde do combalido setor público, que reagirá, com mais impostos, ou se justificará, indefinidamente.
   
A necessária reeducação (destes jovens) implicará duplicidade dos gastos (deixou de ser investimento), sem perspectivas de êxito. Ensinar tardiamente e remover vícios torna-se muito mais complicado. Já o fazem (duplicar investimentos) as empresas que pagam estratosférica carga tributária e se obrigam a construir suas próprias escolas, porque recebem profissionais cada vez mais desqualificados.
 
Por que não agir coletiva e preventivamente, investindo mais e melhor na educação básica? A receita é conhecida: concomitantemente ao  Piso na Carreira, a) capacitar o magistério e assisti-lo no cumprimento e no ensino do currículo; b) atender rapidamente as escolas com baixo Ideb e alta evasão, repetência, faltas dos alunos e dos professores; c) transformar o diretor em gestor escolar; d) atrair as famílias para o sistema escolar; e, e) instituir a meritocracia para  professores e alunos. Todos ganham: pessoas, empresas e estado.