Inicio esta reflexão com uma declaração do arquiteto mais importante deste país, Oscar Niemeyer: “Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá foi como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como pinico. Hoje, eu vejo, tristemente, que Brasília nunca deveria ter sido feita em forma de avião, mas sim de camburão”. Desnecessário ressaltar que ele está falando daquilo que conhece muito bem, porque já passou por alguns sistemas eleitorais e por vários escândalos partidários e tratou diretamente com muitos políticos, ou seja, ele sabe do que está falando.
 
Os políticos que estão no poder são o reflexo de uma sociedade que vota sem pensar, ou pior, vende seu voto. Reflexos de cidadãos que tentam se aproveitar das falhas do sistema, das brechas da lei, passando por cima delas como, por exemplo: a sonegação de impostos. Utilizando-se de desculpas, dizendo que o fazem porque é mais fácil e todo mundo faz, mas na hora que aqueles que estão no poder fazem (em maior proporção e repercussão) a sociedade se revolta e diz querer um Brasil melhor.
 
O desejo de um Brasil melhor deve sim estar na ânsia de todos nós, mas somente se concretizará quando estivermos caminhando com as nossas próprias pernas, ou seja, sem se aproveitar das falhas do sistema, leia-se, da falha dos poderes (executivo, legislativo e judiciário), e sem usar bengala como a já mencionada, sonegação de impostos. Ainda que os impostos sejam altos, abusivos e irregulares, sonegar não é o meio pelo qual os cidadãos que praticam este crime têm de fazer com que eles sejam reduzidos ou abolidos, existem meios lícitos e pessoas com competência para tal discussão.
 
O dia em que a sociedade entender que quem está no poder é ela, sim, somos nós, os membros desta sociedade: cidadãos de direitos e deveres, a corrupção será, inicialmente, escassa e posteriormente inexistente. Quando nós formos honestos, puramente honestos e começarmos a pensar antes de votar, refletir sobre ideologia partidária, conhecer o candidato no qual estamos votando estaremos deixando de ser hipócritas. Mudando então o nosso pensamento de achar que somente os políticos é que são corruptos, o que não é verdade, muitos cidadãos que se dizem “honestos” e que criticam os representantes do povo também se corrompem e se aproveitam das situações. A única diferença é que os políticos são pessoas notórias que deveriam dar o exemplo, quando corruptos ganham um espaço na mídia e esta corrupção torna-se de conhecimento público, com uma repercussão geral e toda a sociedade fica sabendo, e revolta-se. Já os cidadãos comuns se corrompem e são corruptos, mas ficam na surdina e estão ao nosso lado, no nosso convívio.
 
Mudar o que já existe, que está impregnado na sociedade, é sempre muito difícil e passa por muitas resistências, mas auxiliar na formação do pensamento é um pouco mais simples, com menos resistência e impacto. Por isso, é dever dos jovens (eleitores ou não) se interessar e procurar saber sobre política, partidos políticos, sistemas eleitorais, sobre o seu bairro, a sua cidade, o seu estado, seu país e por fim, mas não menos importante, sobre honestidade.
 
Aos mais velhos, fica o pedido de reaverem seus pensamentos, ideais, seus partidos políticos, seus candidatos e suas posturas diante do corrente ano eleitoral. Para que possam continuar contribuindo para o crescimento intelectual e político da sociedade que se forma e, se possível, se despir dos vícios e das práticas recorrentes.
 
Vale lembrar que nada pode ser generalizado, ou seja, nem todos os políticos são corruptos e nem todos os eleitores se corrompem, mas, sabendo da existência e da grandiosidade das praticas ilícitas e da ausência de honestidade de alguns, é sempre bom tecer considerações para que cada um possa refletir sobre o que quer para o seu bairro, a sua cidade, o seu estado e para a sua nação.
 
Por fim, peço que reflitam sobre o que disse Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Mudar, pense nisso!