São momentos como o que estamos passando hoje, como essa catástrofe provocada pela natureza que vem ocorrendo na região norte do estado, mais acentuadamente na cidade de Blumenau, que nos levam a fazer diversas reflexões e estudos do que podemos ter num futuro próximo. Buscando todo um material de hidrologia do curso superior de engenharia, assim como modelos matemáticos, pesquisas e uma experiências de 24 anos de profissão, onde por mais de 12 anos participando da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), estamos chegando a uma conclusão de que não estamos longe de nossa região também sofrer com uma nova catástrofe como a de 1974, e em dimensões superior, pois o município expandiu-se muito, principalmente em nível de uso e ocupação do solo.

O fenômeno El Niño, que tem como consequência o aumento das precipitações no sul da América e seca nas regiões norte e nordeste do Brasil, inicia o seu amadurecimento no último trimestre de um ano e encerra-se normalmente no primeiro trimestre do ano posterior, vem demonstrando que, no decorrer de seus anos de ocorrência, os modelos matemáticos que mostram que inundações tipo a de 1974 ocorrida em Tubarão e região e a de 1983, ocorrida em Blumenau e região, têm um período de retorno de no máximo 100 anos. Se a região de Blumenau, que teve uma grande inundação e deslizamentos em 1983, com 50 mil desabrigados, 38 mil residências atingidas, 49 mortes e três mil cabeças de gado perdidas, sofre após 25 anos, com uma nova inundação e deslizamentos, onde se verificam proporções maiores que a de 1983.

O que podemos dizer de nossa região, que teve 25 municípios atingidos pela grande inundação de 1974, com 45 mil desabrigados, 3,1 mil habitações destruídas e 193 mortes, sendo Tubarão o município mais atingido, 34 anos atrás? Será que estamos preparados para uma nova inundação de igual ou maiores proporções do que a ocorrida em 1974? Foram feitas as recomendações apresentadas em relatório pelo Ministério da Agricultura, após visita técnica em nossa região, em abril de 1974? Houve preocupação de nossos administradores públicos municipais quanto ao uso e ocupação do solo? Temos uma Comdec estruturada e com um planejamento preventivo e de ações, preparada para uma futura catástrofe em nosso município? Ou vamos deixar que a sorte do destino nos mostre o que poderá acontecer, assim como foi a passagem do Furacão Catarina em nossa região? Estamos em época de El Niño e março está chegando!