Prof. Maurício da Silva
Presidente da Fundação Municipal de Educação

Configuraria ato incoerente ‘aumentar as exigências para aprovação dos alunos’ (primeira das seis medidas adotadas pela Fundação Municipal de Educação de Tubarão com o objetivo de melhorar as atitudes e os rendimentos dos estudantes) e não lhes proporcionar melhores oportunidades de aprender.

Para isso, revitalizaram-se instrumentos e práticas escolares para que resultem em efetivo ganho de aprendizagem para os alunos.

  1) Introduziu-se, nos instrumentos de avaliação, dispositivo que permite ao professor, ao aluno e aos pais identificarem, a cada conteúdo avaliado, as etapas vencidas e as ainda não vencidas.
a) Sem tal identificação, o “prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento” (LDB, Art. 12 e Resolução n. 2/2018 do COMET) pode resultar nulo para a aprendizagem. Sem diagnóstico correto, há risco iminente de se retrabalhar o que não é preciso e desconsiderar o essencial. O mesmo pode ocorrer nos retrabalhos, em casa, com a ajuda dos pais ou, na escola, em turno oposto, quando feitos por outro professor.

b) Também a conversa da escola com a família – em especial, na entrega das notas, em final de bimestre, ou no debater provas já corrigidas e assinadas – pode ter efeito nulo. Dizer que o aluno ‘tem dificuldade de aprendizagem’ é pouco produtivo. A família já percebeu pela nota. É preciso apontar a dificuldade (ou etapa ainda não vencida) e indicar o que fazer para saná-la.

 2) As tarefas de casa também constituem oportunidade de aprendizagem, desde que mantidos os objetivos (treinar o que foi trabalhado na aula anterior, pois o aperfeiçoamento resulta do treino constante) e se todos cumprirem suas incumbências. Professores (passarem, corrigirem e cobrarem-nas, todos os dias, junto à direção da escola, dos pais cujos filhos não a tenham feito). A esses (os pais) cabe disciplinar, diariamente, o horário de fazê-las, sempre demonstrando interesse pelo que (os filhos) fazem.

 3) Igualmente sucede com o calendário, com as datas de todas as provas, entregue para alunos e pais (ou responsáveis) nos primeiros dias de aula do bimestre. Ele enseja o cobrar (pelos pais) a intensificação dos estudos para a prova e evita o improvisar de professores e alunos, que muito prejudica o aprendizado.

Prova constitui ato pedagógico que objetiva aperfeiçoar os processos de ensinar e de aprender (Resolução n. 2/2018/COMET). Requer, portanto, coerência (com o que e como foram trabalhados os conteúdos), organização, clareza e previsibilidade. Prova não pode ser utilizada como castigo ou pegadinha.

Tais oportunidades e impulsionadores de aprendizagem foram trabalhados com os professores do Ensino Fundamental, no início do ano letivo, e apresentados aos pais em reuniões posteriores.