Katerine Scussel  – Assistente de comércio internacional

O conflito sírio, em desenvolvimento desde 2011, é um dos assuntos mais complexos nos temas de segurança internacional e conflitos regionais do século XXI. Durante esses aproximadamente 5 anos de enfrentamentos entre os grupos rebeldes e o governo, que teve início na Primavera Árabe, que eclodiu com movimentos populares nos países árabes contra as ditaduras que governavam o país, as forças internacionais se mantiveram atentas e desenharam seus planos de ação a partir de seus interesses e políticas nacionais. Toda a região do Oriente Médio sofre, especialmente nesse período, com essa pressão internacional devido às instabilidades geradas por esse enfrentamento, que traz significativas consequências aos vizinhos e parceiros sírios.
Os Estados Unidos de modo particular é o ator principal nesse cenário, recém-saído de outro importante conflito na região: a guerra do Iraque. Enquanto era liderado pelo ex-presidente Barack Obama, o país abordou essa situação de maneira singular, buscando não envolver direta e formalmente suas tropas como força militar, como costumavam fazer antes de aprender as novas lições do caso iraquiano. A postura do ex-presidente esteve focada em desenvolver estratégias para que o presidente sírio Bashar Al-Assad deixasse o governo e utilizou como principal argumento a necessidade do estabelecimento de um governo democrático no país, atuando no mesmo sentido daqueles movimentos em erupção na Primavera Árabe. Os Estados Unidos, por sua vez, visava evitar as frequentes violações de direito internacional por parte do governo e garantir um futuro equilibrado e pacífico no país. O ex-presidente Obama não apostou em intervenções militares como forma de acabar com as disputas e retirar o presidente sírio do poder por meio da força, mas buscou por meio do apoio aos rebeldes, enfraquecer a liderança nacional. O plano estadunidense ganhou fôlego com o apoio dos aliados.
Com as eleições de 2016 nos Estados Unidos e a posse de Donald Trump a abordagem estadunidense em relação a esse conflito começa a ser redesenhada, mostrando a dicotomia existente entre o antigo e o novo comportamento. Basicamente, a visão do novo presidente é guiada pelo fator segurança nacional, o que significa dizer que a defesa do território estadunidense está em primeiro plano e seus esforços serão organizados para atingir tal objetivo. Para isso, o presidente apresenta a sua nova maneira de resolver esse conflito baseando-se em dois pilares: apoiar movimentos que estão buscando lutar efetivamente contra o ISIS, e deixar de focar exclusivamente na retirada do presidente Assad do poder, já que a saída dele pode gerar importantes mudanças de sistema, governo e consequentemente instabilidade regional. Essa postura está atrelada ao discurso defendido por Trump sobre o excessivo gasto do país em conflitos regionais que acabaram suscitando mais destruição e problemas do que ganhos efetivos aos Estados Unidos. Sua postura tende a ser incisiva e objetiva contra seus alvos.
De maneira geral, o conflito sírio tende a passar por uma nova fase, com novas variáveis e novos rumos. Os Estados Unidos liderados por Trump sinalizam a reestruturação de diversas áreas, tanto relacionadas aos seus assuntos nacionais quanto internacionais. Ainda é cedo para afirmar certamente qual será o caminho dos Estados Unidos no Oriente Médio, mas de antemão pode-se notar que a política externa estadunidense para segurança traçará diferentes linhas e criará novos desafios nos próximos anos.