Outrora nos entristecia o amanhecer daquele dia 22 de setembro de 2010, pois o dia aproximava-se do seu início e, obrigatoriamente, mais uma data, composta por sua manhã, seus momentos, sua tarde, instantes que jamais voltariam.

Hoje, transbordando uma melancolia e tristeza infindáveis, torço para que as horas acelerem como o bater das asas de um beija-flor, pois a vida que vamos levando, antes tão intensa, parece ter ganhado uma nova cor, a qual nos reporta a tardes frias de um inverno cinzento, sem brilho.
Foi naquela manhã do dia que teve início esta saga de dor e saudade que insiste em nos maltratar e fazer-nos crer que a felicidade não baterá mais em nossa porta, como um dia já bateu e que por tantos anos circulou entre as linhas e entrelinhas da nossa vida.

Acordar naquele domingo sem os seus beijos matinais, sem o seu abraço confortante, sem a imagem da senhora a ler a Bíblia, a rezar o terço, sem a mesa posta do nosso café da tarde com a sua deliciosa rosca de polvilho ou seus bolinhos de chuva, sem o seu sorriso estampado no rosto, enfim, acordar com a sua ausência eterna, com a triste notícia de que a senhora teria ido para um outro espaço, bem longe dos nossos braços, do nosso aconchego, ao lado das nossas princesinhas Dielly e Gislayne, que tanto nos trouxeram alegria durante seus reinados aqui na Terra.

Foi junto com a senhora e com as princesas metade de nós e as belezas da vida. Arrancaram-nas do nosso jardim impiedosamente, deixando um vazio a ecoar o desejo dos seus abraços, dos seus beijos, ensinamentos, determinação, bondade e humildade. O que fazer agora?? Como seguir sem suas presenças?? Como é difícil olhar pela porta da nossa casa e não vê-las mais chegar. Como nos dói ter que me contentar com os beijos das suas fotos, com os cheiros dos perfumes que deixaram a meio frasco, com as roupas expostas no seu guarda roupa.

A senhora, minha mãe, fazia parte dos nossos sonhos mais sublimes, era quem impulsionava nossas vidas, quem se fazia presente mesmo que o trabalho a ausentasse muitas vezes do nosso lar. Você, mãe, foi quem lapidou nosso coração, quem moldou nossa alma, quem nos mostrou os corretos valores e princípios a serem seguidos.
Por que deixamos de abraçá-las e beijá-las quando a pressa do dia-a-dia nos impediu a isso?? Por que não disse que as amava em cada ligação que a vocês nos davam para durante todo o dia?? Mas que valha o nosso imenso e inesgotável amor pela senhora e pelas princesas, por tudo que deixamos de fazer e dizer a seu favor.

Oh, queridas, como nós desejávamos ser apenas energia, longe desta matéria, para conseguir um afago seu. Como nós queríamos que esse céu azul tivesse um limite, onde vocês estivessem do outro lado em meio a orquídeas brancas e nos pudéssemos, como um pássaro a transcender o espaço, vê-las novamente.
Não sabemos como será nosso futuro sem as suas presenças, mas pedimos a Deus, incessantemente, que ele amenize um pouco essa nossa dor, porque essa saudade jamais será arrancada ou curada do nosso coração.
Até breve, nossa mãe, Leotildes (Dona Tida), e nossas princesas: Dra. Diélly e Dra. Gislayne.

Amo-as para sempre!
Seus Filhos: Dayane, Ésio, Leodato, Ezir, Eloir, Eledir, Elenir e Eloadir, e todos os seus familiares!
A família, em luto, agradece todas as manifestações de carinho, amizade e as orações realizadas.