No atual cenário de volatilidade de preços, parece-me fundamental observar o comportamento dos empresários entre a opção de lucro e mercado. Os resultados apresentados no segundo trimestre de 2008 por 69 empresas de capital aberto, não financeiras, mostram que as receitas aumentaram em 26,7% e o lucro aumentou apenas em 1,8% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Tal cenário indica a tendência dos empresários em optar pelo mercado. Aparentemente, optaram por absorver os aumentos dos custos decorrentes da inflação ascendente (IGP-M da FGV) e a valorização do real. Ao decidirem não repassar os aumentos dos custos para os seus preços, conseguiram aumentar as receitas. Provavelmente, mantiveram os seus empregados. A manutenção dos empregados ajuda a manter o mercado interno, importante para manter o nível de produção e serviço.

Também não convém passar despercebida a recente tendência de valorização do dólar em relação ao Euro, com reflexo na cotação do real. Igualmente, está ocorrendo uma redução dos preços das comodities. Principalmente o trigo e a carne. O pão e a carne representam cerca de 50% dos gastos calculados na cesta básica.

Outra que se está observando é a disposição do ministro da fazenda em propor estabelecer déficit nominal zero no orçamento federal. O que já poderia ter sido perseguido a partir de 2006, de acordo com as articulações do ex-ministro Palocci e Bernandes. Como não se pode voltar, seria o caso de perseguir o objetivo para 2009, face da incerteza da arrecadação para 2008.

Seria excelente para o mercado que ocorresse tal compromisso. Sem esse compromisso, o Banco Central fica sozinho na luta para reduzir a inflação para 4,5% ao ano. E os estragos na economia seriam maiores. E sem o compromisso os empresários deixam de acreditar na possibilidade.
Consta que o problema é convencer o presidente Lula.