O problema do lixo nos grandes centros urbanos tem se tornado cada vez mais intangível e polêmico em todo o mundo, já que envolve desde a saúde pública ao consumo responsável. Em São Paulo não é diferente. A maior metrópole do país produz 14 mil toneladas diariamente e pouquíssimo dessa montanha de lixo é reciclado. É claro que a reciclagem é apenas uma de tantas outras soluções para o problema.

Com a intenção de contribuir nas discussões entre comunidades, poder público e iniciativa privada sobre a questão dos aterros sanitários, criamos em julho de 2007 a campanha “Mais vida, menos lixo”, durante caminhada ao Morro do Cruzeiro, organizada pela Pastoral da Ecologia da Arquidiocese de São Paulo e com o apoio da ONG Defensoria da Água. Na época, além de não querermos mais lixo no aterro (que já estava com sua capacidade esgotada), estávamos determinados a impedir a destruição de um milhão e duzentos mil metros quadrados de Mata Atlântica para a construção do maior lixão do mundo.

Desde então, a campanha – que envolve entidades, comunidades e escolas – descobriu irregularidades e denunciou ao Ministério Público a existência de muitos crimes ambientais e problemas no processo de licenciamento que tramita na secretaria de estado do meio ambiente. Com base nessas informações, a justiça determinou a suspensão do processo por tempo indeterminado (porém, recentemente, o aterro de São Mateus foi aberto e receberá lixo por mais 11 meses).

Além de denunciar os crimes ambientais, a campanha reuniu semanalmente um grupo de ambientalistas para estudar o assunto e responder à pergunta que mais ouvimos no último ano: “O que fazer com todo o lixo produzido na cidade de São Paulo?”. Da campanha e de tantas indagações, criamos a cartilha “Mais vida, menos lixo”, resultante desse estudo, que será lançada no dia 19 de agosto (próxima terça-feira), na Bienal do Livro.

Ela contém um pouco da história do lixo na cidade, uma sinopse das principais leis de proteção ambiental, orientações práticas para que o cidadão defenda com eficiência os interesses difusos da coletividade e propostas consistentes para municípios de qualquer tamanho construírem um plano diretor de gerenciamento de resíduos sólidos. Seu conteúdo textual não tem reservas de direitos, pode e deve ser reproduzido livremente por qualquer meio. O importante é multiplicar o debate.

Ao longo dessa campanha, aprendemos que o mais importante é construir com a comunidade uma aliança. Aliança no sentido de parceria, solidariedade e troca de informações para que garantir nossos direitos de cidadãos. Investimento em educação e, consequentemente, em consciência ambiental, deve ser um dos projetos a entrar nas pautas de todos os candidatos. O problema do lixo deve ser levado ao centro do debate eleitoral na cidade. Esta é a hora de fazer cobranças a cada um dos candidatos.