Setembro é o mês da Bíblia, portanto, nada melhor do que refletir um pouco acerca da Lectio Divina. Você sabe do que se trata? Nas linhas que se seguem, aparecerá a resposta para a interrogação feita, bem como serão propostos alguns passos para desenvolvê-la.

A intenção aqui é apresentar um instrumento para aprofundar o que Deus quer de cada pessoa, dia após dia, dando um abraço no próprio Deus, através do contato com a Sua Palavra. É um exercício espiritual que ajuda, aos poucos, a interiorizar as mesmas atitudes e comportamentos de Jesus.

É importante encontrar um tempo para dedicar-se à leitura e à meditação da Palavra. O lugar pode ser uma igreja, uma gruta, um quarto da casa ou um lugar qualquer, que seja sossegado, como sugere o próprio Jesus quando diz: “… quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora ao teu Pai que está lá, no segredo…” (Mt 6,6). O texto a ser lido pode ser o Evangelho, a leitura do dia, ou outro texto bíblico…

Depois de ter escolhido um local tranquilo, é importante fazer um momento de silêncio, preparando-se para o encontro que acontecerá com o Senhor. Em seguida, colocar-se na presença de Deus, rezar tentando olhar-se como Deus olha para você. Depois, pedir ao Pai o dom do Espírito Santo porque a Bíblia é um livro inspirado por Deus e, portanto, deve ser lido e meditado com a ajuda do Espírito Santo.

Primeiro passo – a leitura do texto: Consiste em alimentar-se da Palavra. A leitura deve ser feita com atenção, com serenidade, sem subestimar o que pode parecer secundário, interpretando corretamente o sentido histórico do texto. É importante ler e reler a passagem bíblica, tentando compreender o que se acabou de ler, procurando questionar-se sobre o sentido das palavras e prestando atenção naquilo que elas querem dizer para cada um hoje, de maneira especial para o leitor.

Segundo passo – a meditação: Através da meditação, mergulha-se na Palavra, guardando-a depois no coração, como fez Maria, que “conservava cuidadosamente todos os acontecimentos e os meditava no seu coração” (Lc 2,19).
O termo usado por muitos autores para este passo é “mastigar e ruminar” o texto bíblico, de modo a aprofundar e penetrar na mensagem. Por detrás de cada palavra, está o próprio Jesus a falar.

Faz-se importante compreender e confrontar o texto com a vida, com experiências do passado, aguçando o desejo de saber o que Deus quer de cada pessoa através dos acontecimentos diários.
Terceiro passo – a oração: É o momento de oferecer a Deus o que a leitura e a meditação do texto fizeram quem leu e meditou conhecer e desejar. Trata-se do momento de conversar com o Senhor; um diálogo entre amigos sobre aquilo que o Espírito iluminou.

A oração é uma reação que se segue ao toque que Deus operou no coração através da Sua Palavra. Vale dizer que ela não deve ser vazia, estéril… Pelo contrário, deve fecundar a ação. E assim, sinopticamente, a partir da Palavra de Deus, chega-se à meditação, que faz o ser humano entrar em contato com Deus (rezar) e, por sua vez, canaliza-se numa boa ação, seja em benefício do outro ou de si próprio!
Experimente fazer o exercício espiritual da Lectio Divina. Que esta seja uma maneira e uma oportunidade bonita de você conversar pessoalmente com Deus.