1) Fiquei contente com a matéria sobre as reformas no campus Unisul de Tubarão (Notisul 26/27 julho 2008), não por razões corporativas (trabalho na Unisul), mas por razões ideológicas. Sou simpatizante das idéias do sociólogo italiano Domenico De Masi e penso que estamos passando da centralidade do trabalho (modernidade) à centralidade do lazer inteligente e criativo e, por isso, associado ao conhecimento e à arte (pós-modernidade). Claro que a centralidade do lazer inteligente não exclui o trabalho, apenas o coloca a serviço da qualidade de vida. Na sociedade do lazer inteligente, trabalha-se para viver, ao invés de se viver para trabalhar.

O Notisul escreveu: “Valter Schmitz, entusiasta das artes assumido, quer aproveitar a oportunidade de modernização e adequação do ambiente universitário no campus de Tubarão para ‘associar sensibilização pelas artes, culturas, lazer, compromisso com o meio ambiente’, salienta, orgulhoso” (p.4). Bom orgulho que está contagiando a todos. Penso que dois são os desafios principais de um gestor: não permitir que o caixa quebre (ética da responsabilidade) e investir em qualidade de vida (ética da convicção).

No futuro, cursos de turismo poderiam ser transformados em cursos de lazer, com turismo, gastronomia e formação de agentes comunitários de lazer para os bairros, medida preventiva importante de segurança pública. Ainda sobre qualidade de vida em Tubarão: será que – agora que o calçadão está sendo revitalizado – alguém poderia ressuscitar o Bar Vitória? Disseram-me, os antigos, que era o verdadeiro “parlamento” de Tubarão, acompanhado de ótimo café e da melhor empada do estado.

Bar (ou café) Vitória – adote esta idéia!
2) Dentre as considerações do juiz Luiz Fernando Boller sobre a classe política em geral, numa sentença, publicadas recentemente no Notisul, ele afirmou: “… tudo minuciosamente planejado de forma a conferir uma ‘aparência’ de sucesso, que acaba incutida na mente do eleitor…”. Ele tocou num ponto muito importante, que vai além do âmbito político.

Existe, de fato, uma espécie de ditadura do sucesso, responsável até por vasta literatura de auto-ajuda: O Sucesso em 10 lições; O Sucesso em 24 dias, e outras baboseiras do gênero. Quanta hipocrisia na tal ditadura do sucesso! O sucesso distrai e favorece a perda da objetividade. E depois, sejamos sinceros, somos todos mais ou menos fracassados.

A humanidade é um fracasso contínuo que se ergue em alguns momentos raros de lucidez e solidariedade. Poderiam ser produzidos títulos mais realistas: Como Conviver Com o Fracasso em 12 lições, ou em 24 horas. Vivemos uma vida feliz porque levantamos a cabeça todos os dias. Insistimos em viver porque gostamos de viver. Mas sabemos que cada “sucesso” obtido é resultado de vários fracassos superados, com esforço e oração. O fracasso físico avança com o passar dos anos, e é bem difícil lutar contra ele.

Do fracasso econômico somente Deus pode nos livrar. Não basta apenas trabalho, dedicação. Pessoas trabalhadoras também perdem o emprego. O fracasso moral é o mais insidioso de todos. Contra ele – é minha opinião – é preciso faxina moral (pessoal e social) por meio da oração. A melhor vassoura na luta contra o fracasso moral continua sendo o genuflexório e o confessionário.
Luiz Boller afirmou também: “… alertados pelo magnífico trabalho desenvolvido pela mídia…”.

Raramente, juízes elogiam a mídia democrática, que cumpre tal função (democrática). A mídia, geralmente, é apresentada como se fosse a culpada por tantas coisas (e, às vezes, o é), mas é, sobretudo, uma conquista liberal-libertária da sociedade. Penso que Boller escreveu corretamente sobre a mídia democrática e tratou de forma inteligente sobre alguns problemas importantes da vida social.
Se ainda existisse o Bar Vitória, poderíamos conversar lá, pessoalmente, sobre isso e outros assuntos bons de se conversar num café parlamentar.