O primeiro seminário realizado pelo Conselho Municipal de Segurança, em 30 de setembro deste ano, sobre prevenção às bebidas alcoólicas, trouxe as últimas informações da ciência sobre o avanço devastador desta droga, na saúde e na segurança individual e coletiva. Os jovens começam a beber cada vez mais cedo, e as mulheres, em número cada vez maior, segundo informa a Secretaria Nacional Antidrogas. Consequentemente, os problemas individuais e coletivos também se multiplicam: doenças degenerativas, acidentes com mortes ou com sequelas para o resto da vida, conflitos familiares (brigas, estupros, espancamentos, homicídios, inclusive entre amigos), vandalismo, iniciação para outras drogas – princípio de outro aspecto do inferno.

Na segunda etapa, ocorrida em 5 de novembro, ouviu-se a voz dos que atuam na prevenção e no atendimento às pessoas que já estão tomadas pelas drogas lícitas e ilícitas: Desafio Jovem, Alcoólicos Anônimos, Movimentos Porta Aberta e de Irmãos de Humaitá, Centro de Referência e assistência social da prefeitura, estimuladores da formação das escolas de pais e de oportunidades de esporte e lazer para os jovens.
Foram relatos fortes e comoventes que arrancaram: a) lágrimas e aplausos das pessoas que lotaram o salão nobre da Unisul, ao abordarem o drama dos viciados e de seus familiares assim como e onde os atendem; e b) apreensão e indignação, ao revelarem que não dão conta da crescente demanda e nem sabem se terão condições de continuar o trabalho no próximo ano, devido à falta de apoio. Foi um grito de pedido de socorro daqueles que se dispõem a socorrer.

Foi exposto, na verdade, o calvário dos que cedem às drogas e os perigos para si e para a sociedade. Começam por perder a dignidade e a credibilidade junto aos seus (mentem e manipulam para esconder ou manter o vício). Vivem desconfiados e sob desconfiança. Depois, se necessário, roubam, agridem, prostituem-se, traficam e matam para obter a droga. Aumentam os casos de pais e mães que, desesperados, acorrentam ou entregam os filhos para polícia ou até os matam, porque já não sabem mais o que fazer. Quando conseguem os longos e penosos tratamentos, não obtêm cura definitiva. A reincidência é grande. Por isso, é importante não experimentar.

Quando se trata de manter-se e expandir-se o altamente lucrativo mercado dos entorpecentes desconhece limites éticos, legais, jurídicos, policiais e de violência. Alicia crianças e jovens, corrompe cidadãos comuns e autoridades, sequestra e mata envolvidos e inocentes. É destacado a maior causa da exarcebada violência. Todo cidadão, independente de classe social, é um alvo potencial do viciado ou do traficante. Sem dúvida alguma, é ameaça real de rompimento do tecido social.

Também não basta conhecer esta gravíssima realidade e se indignar. É preciso agir, fazendo a sua parte e exigindo que os demais também a façam, principalmente as autoridades.
Sob este prisma, o seminário oportunizou maior visibilidade acerca desta tragédia do cotidiano de todos e apontou atitudes importantes (a serem citadas e um artigo posterior).