Na segunda etapa do seminário sobre prevenção às bebidas alcoólicas, ocorrida em 5 de novembro, em Tubarão, ouviu-se a voz dos que atuam na prevenção e no atendimento às pessoas que já estão tomadas pelas drogas lícitas e ilícitas: Desafio Jovem, Alcoólicos Anônimos, Movimentos Porta Aberta e de Irmãos de Humaitá, Centro de Referência e Assistência Social da prefeitura, estimuladores da formação das escolas de pais e de oportunidades de esporte e lazer para os jovens.

Oportunizou-se a) relatos contundentes sobre o drama dos viciados, de seus familiares, as dificuldades de internação e de recuperação; b) maior visibilidade sobre o trabalho e as dificuldades destas instituições e desta tragédia que afeta fortemente a saúde e a segurança de todos, envolvidos ou não. Apontou-se atitudes importantes: 1) o álcool e outras drogas são devastadores, mas podem ser superados; 2)“se você tem amigos que usam drogas e não faz nada, que droga de amigo é você?”; 3) Tubarão precisa ter clínica a) com pelo menos 200 vagas para atendimento de usuários(as) de drogas lícitas e ilícitas; e b) para pós-tratamento.

Do contrário, a reincidência é certa; 4) oportunizar esporte e lazer para os jovens é fundamental; 5) os pais precisam confiar, desconfiando dos seus filhos: disciplinar horários de saída e de chegada, ver como chegam, com quem saem, onde vão, o que fazem, se usam óculos escuros constantemente, se relaxam no cuidado pessoal, nos estudos, nos compromissos, se começam a faltar objetos em casa. Amar seus filhos, mas jamais os deslizes que eles cometem; 6) é preciso reimplantar as escolas de pais em todos os estabelecimentos de ensino; 7) a espiritualidade, o afeto e a disciplina são excelentes para a prevenção e para tratamento; 8) o crime organiza-se mais facilmente na ausência do poder público; 9) as deficiências de escolarização e urbanização favorecem em todos os aspectos a criminalidade; 10) tanto quanto à prevenção, à repressão policial inteligente às drogas é imprescindível.

No campo da legalidade, é preciso continuar acompanhando a aprovação e aplicação da lei dos bares e da lei que proíbe a permanência de menores de 18 anos na rua, desacompanhados, depois das 23 horas; denunciar os estabelecimentos que infringem a lei ao vender bebidas alcoólicas para eles; solicitar a deputados federais e senadores mudança na lei que dificulta o uso do bafômetro e na que regulamenta a publicidade de bebida alcoólica (horário impróprio e com celebridades).
Se esperar acontecer, dificilmente terá retorno. É preciso evitar que aconteça.
Mas, se acontecer, há que se reagir imediatamente.
É impossível pensar no futuro de Tubarão sem atacar este problema de frente.