Uma das organizações criativas mais importantes da nossa história foi a “Werkstate”, uma cooperativa que reuniu talentos das mais diversas artes e ofícios, predecessora da era pós-industrial como organização voltada à criatividade e inovação.
Dentre seus maiores expoentes, figurava o artista plástico Gustave Klimt, que, morreu num domingo, 6 de fevereiro, há 93 anos.
Em meio ao fervilhante cenário artístico e intelectual da Viena do início do século 20, sua arte subjetiva e intensamente sensual e erótica, introduziu o colorido simbolista no cenário artístico vienense, tornando-se uma ponte para o surgimento da vanguarda expressionista.

Rompendo com o formalismo acadêmico que dominava a sociedade vienense da última década do século 19, Klimt desenvolveu uma pintura muito própria – ornamental, linear e feminina. Ao eliminar o efeito de profundidade e de volume, transformava suas figuras num conjunto de superfícies decorativas, com caráter abstrato, de onde se destacavam pormenores figurativos de mãos e rostos.
O resultado é extasiante!
A quase totalidade de suas telas compõe-se de representações naturalistas de figuras femininas, imagens planas, imensa profusão de elementos decorativos, motivos geométricos repetidos, como mosaicos onde o realismo e a abstração se confrontam, além da presença marcante do dourado.

Para muitos, O Beijo, pintado entre 1907 e 1908, é sua obra-prima, mas foi o Retrato de Adele Bloch-Bauer I, também de 1907, que, em 2006, foi vendido à Neue Galerie, de Nova Iorque, pelo mais alto preço já pago por uma pintura: 135 milhões de dólares!!!
Lauro Bandeira, um florianopolitano que integra a Câmara de Comércio Áustria-Brasil, é uma personalidade respeitada nas mais altas rodas políticas, econômicas e sociais de Viena, onde vive há uns 20 anos. Ele trouxe-me um presente especial e valioso: uma cópia autêntica dessa obra, que, hoje, ornamenta uma das paredes da minha casa.

O reconhecimento atual, e tardio, nada tem a ver com as agruras que Klint sofreu, como sói acontecer com todos os vanguardeiros. Devido ao conservadorismo da época, sofreu rejeição e foi incompreendido até por seus companheiros de pincel.
Em 1900, contratado pelo ministro da educação, Von Hartel, retratou, dentro de uma visão revolucionária, matérias do currículo escolar, como jurisprudência e medicina. Sua tela A Filosofia foi objeto de manifesto de 87 ilustres professores da universidade. Depois, em 1901, vários deputados interpelaram o ministro da educação, condenando a pintura A Medicina (foto).

Por sinal, ambas foram queimadas, em maio de 1945, no Castelo de Immendorf, que foi incendiado pelas tropas SS em retirada.
Quando admiramos obras como as de Klint, Picasso, Dali, Munch e tantos outros, fugimos do mundo para nos unir ainda mais a ele, como bem ensinou Goethe: “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte”.
Mas, com Klimt, ninguém foge da sua realidade, porque sua arte é a reprodução da vida que cada um vive no seu cotidiano.