O governo federal, acompanhado da maioria dos gestores estaduais e municipais, continua a tratar separadamente o que é indissociável: qualidade de ensino, salário e formação do magistério. Dificulta, assim, avanços inadiáveis no ensino.
Não é de estranhar que das 50 mil vagas oferecidas gratuitamente pelo governo federal, para professores cursarem o ensino superior na disciplina que lecionam, poucas foram ocupadas. Não é por falta de candidatos – cerca de 300 mil atuam sem esta habilitação -, tampouco por desconhecimento da importância da formação do mestre na melhoria do ensino, comprovadamente combalido. É por falta de planejamento e sobreposição das ações. Afinal, que vantagens teriam o professor e o ensino com este curso? Mais precisamente: a) Que correções ocorreriam na atuação do profissional? b) Quais metas de ensino seriam atingidas? c) Quanto melhoraria o seu contracheque?

Sem estas respostas, o resultado da participação seria incerto, o que deve ter motivado a expressiva e preocupante ausência. Melhorar os salários dos professores, absurdamente baixos, é necessário, mas insuficiente para fazer prosperar o ensino, quando feito isoladamente. Capacitá-los, mesmo quando se gastam horrores, como neste caso, mas sem foco e acompanhamento, também pouco contribui.
Por outro lado, empreendimentos feitos em diversos países e em alguns estados e municípios brasileiros, largamente divulgados, demonstraram que, quando se concilia salário, produtividade e capacitação, as coisas ocorrem. Ou seja, quando se implanta um sistema de avaliação que: a) aponta deficiências no ensino, as quais seriam sanadas através de capacitação, e b) premia o mérito, o ensino melhora e o salário do professor também, satisfazendo a todos.

Os grandes problemas são a miopia e a demagogia. Age-se às margens da ciência e das evidências e falta coragem para o enfrentamento de certos corporativismos inaceitáveis, perpetuando-se, desta forma, as deficiências no ensino, que prejudicam o próprio professor, as camadas mais pobres da sociedade e dificultam a inserção no Brasil na economia global. Então, não são investimentos. São gastos desnecessários na educação.