A Unidos da Tijuca bem que tentou, mas não conseguiu agradar o furor dos vigilantes incansáveis do mundo GLS e mais um monte de letras que se agregaram a essa sigla, hoje sinônimo de diversidade. Foi só criar o tal do “banheiro gay” e ser taxada de homofóbica. Alguns chegaram ao extremo de comparar a iniciativa com o nazismo, na medida em que o banheiro segregaria os homossexuais. Em meio aos holofotes da discussão e dos minutos de fama, explorados por alguns desses vigilantes, esqueceram de perguntar o que pensa a comunidade. Muitos dos que se queixaram sequer colocam os pés na quadra da escola. E, na verdade, muitos travestis, transexuais e afins sentem-se constrangidos em frequentar banheiros em geral, nos ambientes que não são especificamente gays. O porta voz da escola foi conclusivo ao afirmar que o gay usa o banheiro que quiser. Discussão inócua.
 
A eliminação de Ariadna, a transexual do BBB, deveria sim ter causado um alvoroço. Ali existem indícios de homofobia, tanto dos participantes, como da direção do programa e do público. A convivência com a diversidade é algo extremamente cruel quando submetido a situações reais. A votação do público deixou cristalino que ainda estamos longe de aceitar a condição transexual, principalmente pelo caráter desafiador imposto por ela. Aceitar com normalidade? Não. Vamos eliminar. A agressão foi a mesma de quebrar uma lâmpada na cabeça. A diferença foi só o susto. Mas a gritaria dos vigilantes não deu o ar da graça. Afinal, a Globo tem sido boazinha com os gays. Sempre tem um personagenzinho lá, dando pinta, como quem diz: ”não nos esquecemos de vocês”. Mas o debate frontal, o questionamento ideológico a ruptura comportamental fica para o imaginário. Até hoje, o beijo gay, tão prometido por alguns autores (inclusive sabidamente homossexuais), ficou só na promessa.
 
Ainda sobre homofobia, é importante salientar a iniciativa do MEC de finalizar uma cartilha para orientar alunos das escolas de educação básica quanto ao tema. Tenta construir a política de tolerância, primeiro passo para o pleno exercício da paz. Mas a bancada evangélica não vai deixar o Ministério da Educação em paz quando o assunto é homossexualidade. É bom ressaltar que nem todo evangélico comunga com o pensamento da bancada. Há muito os políticos estão distantes do pulsar de suas bases. Alguns deputados falam até em criar a CPI da libertinagem sexual no governo, em função de muitos dos responsáveis pelas políticas de diversidade sexual serem homossexuais. Se for seguida a lógica dos que criticam o banheiro da Tijuca, eles até teriam razão. Mas cada um usa o banheiro que quiser. Qualquer um pode ocupar cargos no governo, desde o exército à diversidade sexual. Basta preencher os requisitos básicos da função. E ficaria um pouco estranho um ateu ser nomeado para fazer o diálogo do governo com as igrejas. Imagine o RR Soares secretário nacional da diversidade sexual. Seria hilário. Combater a homofobia exige da sociedade a liberdade de escolha, o questionamento dos expedientes televisivos e a educação da juventude. A Tijuca e o MEC estão no caminho.