A o ler os artigos de uma das páginas do Notisul de 4/08, deparei-me com uma matéria que diz o seguinte: “É parte da história”. Realmente, é parte da história; mas de uma história que infelizmente está para ser destruída num ato que virou rotina em nossa cidade.

Estou falando da casa onde morou e fez história nosso ilustre e saudoso pintor Willy Zumblick, hoje colocada à venda e que, se for concretizada, provavelmente será derrubada para dar lugar a uma construção moderna. Mas não é isso que deva acontecer e sim tombada como patrimônio histórico, para nossa cidade.
Acima, falei que fatos como este vêm acontecendo em nossa cidade; lembram-se da nossa Catedral? Até hoje, pessoas que a conheceram ainda lamentam pela falta da igreja que por longos anos foi alvo de grandes eventos da comunidade católica da região.

Aqui fica uma pergunta: se fosse hoje, aquele monumento histórico seria destruído?
Para nós, na época em que vivemos, um acontecimento de destruição desta natureza, seria taxado como desrespeito à população católica de Tubarão e região. Será que foi por falta de um terreno para construir uma nova Catedral? Acho que não. Com certeza, houve outras razões ainda não explicadas aos tubaronenses. Aos mandantes desta tragédia, que adjetivos aplicá-los, com a decisão tomada na época?

Continuando, digo mais: a belíssima casa da família Medeiros, outro monumento que deveria ser tombado como patrimônio histórico, foi vendida, segundo comentários por R$ 2 milhões, e hoje deu lugar a um estacionamento de veículos. Onde está a força do nosso poder público municipal? Gente, R$ 2 milhões são gastos por uma comitiva que vai ao exterior para analisar projetos que podem beneficiar o município, e que muitas vezes não saem do papel. Pense bem, custava investir neste patrimônio, que viria a ser algo mais aos olhares de turistas que nos visitam?

Tratando-se de história de nossos antepassados e do município, vamos preservá-los. O modernismo nem sempre atrai a população e muito menos aos olhares dos turistas.
Vejam um exemplo que o Brasil todo e o mundo admiram, Aparecida do Norte. A construção de uma grande e imponente Basílica não foi motivo para que a pequena e acanhada igreja antiga fosse alvo de derrubada, e sim para orgulho da pequena cidade, foi tombada como patrimônio histórico nacional, até hoje muito respeitada por quem a visita. Assim muitos outros, por esse Brasil afora.

A catedral metropolitana em Florianópolis, a Ponte Hercílio Luz, que hoje fazem parte da história e respeito do povo catarinense, são monumentos tombados que estão sendo reformados, por quê? Porque a história de um povo e de uma cidade, estado e de um país não se derruba assim, como pedras de um jogo de dominós.
Como disse na reportagem ao Notisul a neta de Willy, Andréia Zumblick: “se a prefeitura mostrasse interesse em transformar em museu, com certeza, apoiaríamos”.
Então, senhor prefeito, está em vossas mãos a canetada, que poderá transformar esta casa em museu, e com as obras do saudoso pintor lá existentes e outras.

Assim se fará justiça conservando um acervo histórico de nossa cidade, para que amanhã nossos netos e gerações futuras venham a conhecer um pouco da história de nossos antepassados e da Cidade Azul. Numa cidade que se fala tanto em incrementar o turismo, é mais uma oportunidade para reafirmar seus objetivos. Não vamos esconder e sim mostrar um pouco de nossa história.
Vamos dizer aos brasileiros que Tubarão fez e tem história.