Cantar obrigatoriamente o hino nacional brasileiro nas escolas, uma vez por semana, foi a proposta de um projeto de lei que tramitou na câmara dos deputados há oito anos.

Foi sancionado pelos deputados? Não sabemos. Cantam o hino nacional nas escolas? Também não sei. Então, resolvi sair em busca de informações que pudessem me ajudar a terminar este artigo. Fui em alguns colégios e entrevistei estudantes de todas as idades. Resolvi também dar uma oportunidade a outras classes, como trabalhadores, esportistas e políticos, com o objetivo de ver como anda o interesse do nosso povo tubaronense. Foram as seguintes perguntas: “Você conhece os autores da letra e música do hino nacional brasileiro?”. “Você sabe cantar o hino nacional?”. “Sua escola canta o hino nacional uma vez por semana?”. “Você já ouviu falar na ex-BBB Juliana Góes?”.

Para as três primeiras perguntas, a maioria respondeu “não”. “Não sei quem são eles”. “Não sei cantar”. E “na minha escola também não cantamos”. Sobre a quarta pergunta, a resposta foi unânime. Principalmente dos homens. Enfim, para uma grande maioria de ambos os sexos, a ex-BBB Juliana Góes, capa da revista da Playboy, foi a mais lembrada e venerada do que os mártires que, com muitas lutas e entraves, foram os compositores do nosso hino nacional brasileiro, que foi oficialmente promulgado por Epitácio Pessoa em 1922.
“Ó Pátria Amada
Idolatrada
Salve! Salve!”

Há 29 anos, em plena ditadura militar, quando existia a disciplina educação moral e cívica nos colégios, muitos procuraram desaprovar a ideia por associá-la ao tipo de regime arbitrário em que o país vivia. No entanto, hoje, com quase três décadas da nova experiência democrática, professores, pais e alunos sentem que a moral e o civismo fazem muita falta. É a própria sociedade que perde e percebe os efeitos de desapreço por alguns valores básicos para a coesão das instituições sociais, a começar pela família. Outros até poderão atribuir essa iniciativa a mais um sintoma da volta de um certo conservadorismo nos costumes da atualidade. A questão é que professores e alunos, pais e filhos, patrões e empregados, governantes e governados, vivenciam experiências dolorosas de um tal desrespeito, e que muitos começam a indagar.

Até onde será possível deixarmos a barbárie se ampliar e corromper toda uma organização social? Assistir pura e simplesmente ao desmoronamento do mínimo de dignidade e respeito nas relações humanas é ser conivente com uma proposta cínica e irresponsável, de consequência desastrosa para todos. Que tenhamos a coragem, portanto, de falar a verdade: a ausência da moral e do civismo torna boa parte de nossos adolescentes apáticos e agressivos, omissos na responsabilidade, desmotivados aos princípios fundamentais de solidariedade, valores essenciais para um convívio possível e saudável.

O projeto de lei que propõe, portanto, a obrigatoriedade de se cantar uma vez por semana o hino nacional nas escolas pode ser um resultado bastante positivo, na medida em que pode reacender e despertar nos corações das nossas crianças e adolescentes o apreço pela pátria, passo importante para o respeito de nossa coletividade para o amor ao bem comum e para a valorização dos sentimentos de brasilidade. Então, o que estamos esperando. Vamos cantar.
“Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria Amada
Brasil”.