A mistificação de um personagem histórico reluz diante da expectativa de uma identidade patriótica sem precedentes. Na maioria, na construção da busca de uma perspectiva ideológica acerca do tema abordado, para conquistar interesses turísticos e criar ilusões diante dos fatos realmente acontecidos. Essa identificação acontece para estabelecer parâmetros de funções mitológicas que gradativamente vão estabelecendo uma “heróica” personalidade. Trazer para o público um conceito repleto de histórias manipuladas e omissas, tende transformar a ideia central em distorções que ao longo do tempo vão sendo consideradas reais diante de tantas afirmações em volta do personagem em destaque de “herói”. 
 
Tiradentes, Giuseppe Garibaldi (foto), Aleijadinho, entre muitos dos quais estão inteiramente onipresentes no imaginário dos brasileiros e são constantemente reverenciados e consagrados como semideuses. Transformando a realidade histórica em mero funcionamento apenas do historiador, pois o senso comum constrói uma verdade distorcida e aclamada pelo grande público. Essa identificação histórica também traz para a localidade o desejo de reconhecimento regional e realiza a partir da figura presente no contexto histórico a sua assimilação com feitos que possivelmente foram realizados.
 
A luta por desfazer equívocos históricos está por um caminho muito longo a se percorrer, é difícil concentrar as verdadeiras explicações onde já há um senso muito forte e relacionado com a cultura das pessoas, embora tenhamos de encarar os fatos e aceitá-los. Uma enorme possibilidade de transformar o mito na figura que piamente acreditamos em algo que os transformam em “vilões” da história é praticamente nulo. Pois é preciso acreditar que temos alguém para nos inspirar a confiar nos feitos realizados, do que trazer à tona os fatos inescrupulosos do tal “herói”.
 
Garantir a grandiosidade do “herói” somente implica em afirmar o pretexto de que a história oficial está equivocada e que pretende manipular o pensamento crítico do homem em função própria.