sábado, 17 outubro , 2026

Há também assessores, em educação

Atuando há quase 15 anos do outro lado do balcão, pude tirar aprendizados e também entender algumas particularidades do dia a dia de quem cobre o setor educacional. No início dos anos 2000, o cenário era bem diferente do atual. A cobertura em educação restringia-se a temas ligados a políticas públicas, o que reduzia e muito o espaço dedicado ao setor privado, exceto se a notícia fosse negativa – para terror dos colegas de assessoria. 

Com o Enem ganhando notoriedade, ganharam espaço também reportagens sobre o universo escolar particular, já que agora elas estavam na mira dos chamados “rankings educacionais”. Práticas pedagógicas e iniciativas pioneiras somadas à revolução tecnológica dentro das salas de aulas, ao cyberbullying e às competências sócio emocionais resultaram em um aumento significativo do espaço ocupado pelas matérias de educação na imprensa. Era chegado o momento das assessorias de imprensa entrarem em ação. Mas, diferente de outros segmentos, em educação não era prática comum recorrer aos serviços de assessoria. Nessa época, já início dos anos 2010, as poucas empresas que investiram conseguiram estabelecer um ótimo vínculo com a imprensa especializada e construíram um relacionamento sólido e duradouro. 

Nas redações, muitas vezes, os jornalistas tinham dificuldades em recorrer a fontes e personagens de empresas privadas por falta de um assessor. Não foram poucas as vezes que indiquei alunos, professores e pais para uma entrevista, mesmo sabendo que aquela matéria não teria nenhum retorno para meus clientes. Acredito que esse é o papel do bom assessor: atender ao jornalista, em primeiro lugar, e oferecer conteúdo relevante que sirva como subsídio, facilitando a prática diária nas redações. Hoje, com as redações mais enxutas, e editorias como política, esportes e internacional ganhando cada vez mais espaço, o volume de reportagens do setor voltou a diminuir. Na contramão, as assessorias estão saturadas. Resta agora encontrar um novo equilíbrio entre o que pode e deve ser oferecido pelas assessorias, um conteúdo que gere valor. 

De qualquer forma, o jornalista do setor precisa mais do que uma simples pauta. Educação é prestação de serviço. É impactar pelo exemplo. É noticiar o que faz diferença. E isso vale sempre.  

 

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