O dia 17 de janeiro tem um importante significado no curso do processo abolicionista em todo o mundo. Afinal, foi neste dia que nasceu o jornalista, editor, cientista, inventor, escritor, diplomata, maçom e abolicionista norteamericano Benjamin Franklin (foto), em 1706. Por coincidência, nesse mesmo dia, foi enterrado, em 1910, o político, historiador, jurista, escritor, diplomata, maçom e abolicionista brasileiro Joaquim Nabuco, uma das figuras mais expressivas da vida pública brasileira em todos os tempos!

Mas as coincidências entre essas duas maiúsculas biografias não ficam por aí.
Benjamin Franklin fundou a Sociedade para Abolição da Escravatura da Pensilvânia. Joaquim Nabuco fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, no Rio de Janeiro.
Franklin foi embaixador das então colônias no Reino Unido, assim como Nabuco representou a jovem república brasileira na velha Inglaterra.
Ambos foram importantes figuras da maçonaria de seus países.
Franklin foi fundamental para a Independência de seu país, assim como, aqui, Nabuco foi um dos principais artífices da abolição da escravatura.

Franklin foi editor do “Almanaque do Pobre Ricardo”, anuário de informações gerais repleto de provérbios seus, que se tornariam famosos em todo o mundo. Também escreveu uma “Autobiografia”, que prima por aconselhamentos. Diversamente da atual literatura de auto-ajuda, repleta de atalhos e fórmulas mágicas, Franklin prega o sacrifício, o trabalho árduo, a economia, a frugalidade e a educação continuada como causas do sucesso ou prosperidade individual e coletiva. Ideia-força, que é a base do chamado “sonho americano”.

Na área literária, sem dúvida, Nabuco supera Franklin com suas obras primas O Abolicionismo, Balmaceda, Um Estadista do Império e Minha formação.
Mas Franklin supera Nabuco pelas suas descobertas na área científica, com as quais granjeou fortuna e reputação internacional. Identificando as cargas positivas e negativas, demonstrou que os trovões são um fenômeno de natureza elétrica, conhecimento que serviu de base para seu principal invento, o pararraios. E criou, também, as lentes bifocais e revolucionou a meteorologia.

Franklin foi ainda prolífico em obras sociais, dignas de um “pai da pátria”. Junto com outros maçons, amealhou recursos para, em 1731, fundar a primeira biblioteca pública da Filadélfia. Em 1751, sob seu comando, surgia a Academia da Filadélfia, que veio a se tornar a Universidade da Pensilvânia, a primeira do país. Nesse mesmo ano, ao lado do Dr. Thomas Bond, obteve alvará para estabelecer o primeiro hospital dos Estados Unidos da América.
Não bastasse tudo isso, também esteve envolvido na criação do primeiro corpo de bombeiros voluntários dos EUA.

Em sua “Autobiografia”, Benjamin Franklin revela que seu pai repetia-lhe com frequência um provérbio de Salomão: ‘Viste um homem diligente em seu dever? Ele fica diante de reis, não fica diante de homens mesquinhos’. Graças a essa persistência paterna, Franklin diz que passou “a considerar a diligência como meio de obter riqueza e distinção, o que me encorajou, embora não pensasse que chegaria literalmente a ficar diante de reis, o que, porém, desde então, aconteceu, pois estive diante de cinco reis”.