Conectada com a preocupação nacional de reestruturação e modernização da malha ferroviária nacional, e em convênio com o Ministério dos Transportes, Santa Catarina fez um estudo de viabilidade técnica e econômica que oferecesse uma análise do sistema logístico catarinense e apresentasse as soluções para o transporte de cargas, prevendo sua ampliação para passageiros. Com base nesse estudo, foram definidas duas novas ferrovias: a Litorânea, que ligará a Ferrovia Tereza Cristina à malha nacional e integrará todos os portos catarinenses: Laguna, Imbituba, Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul e, no futuro, Itapoá; e a Leste Oeste, ligando a região oeste ao litoral.

Com a atuação da bancada parlamentar catarinense, em especial da senadora Ideli Salvatti, a Ferrovia Litorânea foi incluída no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), garantindo recursos do governo federal para a elaboração dos respectivos projetos de engenharia e meio ambiente. Posteriormente, a obra será executada numa parceria público-privada.

Paralelamente, os deputados do Rio Grande do Sul vêm discutindo a sua rede ferroviária e a integração com a Argentina e o Uruguai, incluindo um trem de alta velocidade até Torres, mas ainda sem conseguir sensibilizar o governo estadual a fazer com o federal os estudos de viabilidade técnica e econômica.

Entendendo a importância do tema, participei da reunião da Comissão do Mercosul e de Assuntos Internacionais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, presidida pelo deputado Paulo Azeredo, para propor uma ação conjunta entre os dois parlamentos, buscando uma integração entre o projeto catarinense da Ferrovia Litorânea e o gaúcho do Trem do Mercosul.

Segundo a proposta que encaminhei, a Ferrovia Litorânea deverá estender-se até Torres e, por consequência, até Porto Alegre, e constituirá um grande componente da infraestrutura necessária para o desenvolvimento sustentável do litoral norte gaúcho e do sul catarinense. Será uma alternativa mais inteligente para o transporte de cargas e passageiros, muito mais barata, ágil, segura, mais controlada/fiscalizada, menos poluente, com menor desperdício e risco, com menos acidentes. Aliviará o tráfego e dará sobrevida à BR-101 duplicada; melhorará a competitividade dos produtos de nossa região (Amesc, Amrec e Amurel), além de ser um grande suporte para um turismo de qualidade.

Imaginar um trem de alta velocidade integrando-nos com o norte e o Mercosul não é só imaginar conforto, rapidez e modernidade no transporte, mas um instrumento de novas oportunidades, geração de renda, diminuição das desigualdades e melhoria das condições de vida do nosso povo. Pense nisso!