Atualmente, percebem-se mudanças significativas na esfera familiar. A família atual é nuclear, mais flexível, o que proporciona uma mobilidade de papéis e uma hierarquia mais maleável. Todos assumem suas responsabilidades e seus direitos, trocam ideias, posicionamentos, proporcionando uma convivência mais compartilhada e relações mais estreitas e gratificantes, visando ao crescimento de todos.
 
De acordo com Andolfi (a993, p.08): A família é um sistema ativo em constante transformação, ou seja, um organismo complexo que se altera com o passar do tempo para assegurar a continuidade e o crescimento de seus membros. Pensar na família nos leva a considerar o espaço onde se dá a vida cotidiana. É nesse espaço que a nossa existência é processada. 
 
Nele, os mais velhos transmitem a história oral das famílias, os legados de cada geração. E é aí que se dá a articulação dos fatos históricos e a vida pessoal. A vida em família é um processo de constantes rupturas, perdas e ganhos, apegos e desapegos, construção e reconstrução da trajetória de uma existência compartilhada. 
 
“A família, como expressão máxima da vida privada, é lugar da intimidade, construção de sentidos e expressão de sentimentos, onde se exterioriza o sofrimento psíquico que a vida de todos nós põe e repõe. E percebida como nicho afetivo e de relações necessárias à socialização dos indivíduos, que assim desenvolvem o sentido de pertença a um campo relacional iniciador de relações excludentes na própria vida em sociedade. É um campo de mediação imperdível”. (Costa 2203, p.201).
 
As famílias constituídas por pai, mãe e filhos já não são o único modelo presente em nossa sociedade. “Por outro lado, a possibilidade de gerar filhos sem o concurso da relação sexual, abre horizontes inteiramente novos à experimentação social, dissociando-se, desta maneira, a reprodução da espécie das funções sociais e pessoais da família. Com a luta cotidiana por melhores condições de vida, o processo de modernização, os meios de comunicação, bombardeando diariamente os lares, com as mais variadas informações, onde em muitos casos, os televisores servem de babás para essa nova geração. O que podemos esperar da formação destes jovens?” (Castells, 2003, p. 262).