Durante muitos anos joguei futebol, pratiquei outros esportes também e aprendi diversos modelos de gestão de pessoas, estratégias e planejamentos. Aprendi também que as coisas são importantes no momento e que não dá para viver somente do passado, de glórias e histórias.

É claro que um clube vencedor, como São Paulo, Internacional de Porto Alegre, Grêmio, Atlético, do Paraná e Cruzeiro, de Minas, ambos do Brasil; Boca Júniors da Argentina; Barcelona e Real Madrid, da Espanha, e tantos outros são verdadeiras relíquias, que servem de referência e devem ser estudadas, servindo de inspiração para quem quer se manter no topo o tempo todo, mas nada disso irá servir se não vierem acompanhados de sucessos e títulos atuais.

Nas empresas tradicionais, o que mais preocupa é manter a imagem de vencedora durante anos após anos. Imagine a seguinte situação: sua empresa demitiu no ano passado um supervisor de vendas, extremamente EUquipe, um mala, injusto e desagregador e, de repente, uma notícia que cai como uma bomba: o mala vai ser recontratado para liderar a equipe comercial e terá carta branca.

E agoooora!!! Como será a reação da equipe? Como será recebido este colega?! Pois é o que vemos hoje nos times tradicionais de futebol no Brasil. Por falta de craques ou de grana para contratar os melhores que jogam fora do país, alguns clubes estão trazendo de volta os malas como a salvação da lavoura. É um modelo perigoso de gestão de formação de equipe e relacionamento humano.

Agora, se der certo, quem vai questionar? Uma legião de encrenqueiros está de volta: Romário, Roger, Adriano, Edmundo, Renato Gaúcho, Fabinho, Carlos Alberto, Tardelli e tantos outros. Parece que aquele discurso de que queremos a ‘disciplina em primeiro lugar’ era modismo e hoje não cabe discutir, porém, uma coisa não mudou: resultados é o que importa.

Na empresa a coisa não é tão diferente, vejo administradores que fecham os olhos para a formação ética de alguns profissionais em troca de resultados, principalmente quando a situação ou função está relacionada a vendas. Daqui alguns anos a moda que vai e volta, discutiremos conceitos disciplinadores, éticos, respeito e profissionalismo.

Por enquanto, será que devemos concordar com este novo modelo? E sua empresa como trata estas questões? Se um mala retornar, como será sua reação? Tem trazido resultados suficientes para que possa defender os conceitos mais importantes?