Comum ouvirmos esta expressão sempre que nos deparamos com uma criança inquieta, curiosa, tagarela e que chama a atenção toda para si. Mas seria mesmo esta criança “hiperativa”? Será que não existe nada por trás de toda esta inquietação? 

Muitas vezes as crianças acabam recebendo este “rótulo”, seja dos pais, da vizinha, da babá, dos tios e principalmente dos professores. Eventualmente recebemos em nossos consultórios pais preocupadíssimos com o comportamento dos filhos, já com diagnóstico fechado vindo das escolas. Mas seria esta a função dos professores e das escolas?

A escola tem um grande e importante papel na constituição deste sujeito, para que este adquira além do conhecimento didático, valores éticos e morais para conviver em sociedade. Sem contar que muitas professoras acabam por realizar um papel substitutivo da figura materna, pelo fato de amar a profissão e transmitir aos alunos carinho e afeto, além de, na maioria das vezes, passar muito mais tempo com as crianças do que as próprias mães. Deste modo, fica muito mais fácil observar e apontar mudanças no comportamento das crianças sejam estas desordens tanto da fala ou conduta, como dificuldades de aprendizagem que venham a apresentar. 

Entretanto, alguns professores já saturados com a profissão, com a desvalorização da classe, esgotados pelas turmas abarrotadas de alunos, acabam por não tolerar certos comportamentos que fogem do seu domínio com estas crianças “ditas hiperativas”. Aí é que surgem os “rótulos” e diagnósticos precoces. 

Os pais por sua vez acreditam que com a intervenção medicamentosa seus problemas estarão resolvidos. Consequentemente o consumo de medicamentos como a Ritalina cresce a cada dia que passa. A ponto de o Brasil perder apenas para os EUA no consumo deste medicamento. Muitas destas crianças rotuladas ou diagnosticadas com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) necessitam apenas de uma intervenção psicológica para que, realizada juntamente com o apoio dos responsáveis possa-se trabalhar questões como a falta de limites, intolerância a frustração e dificuldade de cumprir regras. Além de questões de caráter emocional que interferem consequentemente no comportamento das crianças como, desavenças no lar, violência familiar, divórcio dos pais, falta de afeto e carinho, bullying ou discriminação, perca da autoestima, ansiedade entre outras. 

A criança acaba por se tornar ansiosa ou inquieta não por ter uma determinada disfunção, mas por estar em conflito interno com suas emoções e não saber ou não ter meios de expressar tudo isto. Espelhando apenas o universo que a rodeia, o ambiente ao qual está inserida. Seja em casa ou na escola. Deste modo, se faz necessário ouvir a queixa do professor respeitando-a, porém averiguar e avaliar todos os aspectos com profissionais qualificados seja o psicólogo, psicopedagogo, ou até mesmo o neuropediatra antes rotular e usar o seguinte dito popular: Este menino não para quieto. Só pode ser hiperativo!