Em cada formação profissional, é imprescindível a especialização através da prática, na educação não é diferente. O estágio em sala de aula é um processo necessário e uma etapa da caminhada para um futuro professor. Nos dias atuais, é inevitável perceber que a educação está precária em todos os sentidos, sejam eles faixa salarial, baixo nível de rendimentos, sem valorização governamental e com estruturas de prédios precárias. Com essa visão da realidade, o estágio é um momento ímpar no processo, por nos fazer ver de perto a realidade da educação, de nossa cidade e município, justo na sala de aula, que será o campo de trabalho, no caso do professor.
 
No início do mês de outubro, um professor agrediu um aluno com um soco e pediu demissão. Isto ocorreu no Paraná. Aqui mesmo em Criciúma, no ano passado, houve várias discussões em uma escola do município por parte dos pais e professores, em relação a um aluno problemático.
 
Afinal de contas, como anda nossa educação?
 
A primeira argumentação e comentários posteriores a este artigo, com certeza, será: O que ele sabe de educação, para falar sobre o assunto? A primeira impressão é a que fica e é sobre isto que irei me expressar. As anotações a seguir têm o intuito de emitir minha opinião, que é o maior objetivo deste espaço.
 
A estrutura escolar: prédios, salas, móveis e instalações. Mostram a importância da educação por parte do governo. As salas de aulas com cadeiras e carteiras, mais parecidas com peças de ferro velho. Escolas recém-reformados dão sinais de instalações, com pouca qualidade, tudo mais parecendo obras feitas sem acompanhamentos de engenharia. Uma estrutura em caos que não está em situações mai precária, por ter direção capacidade e interessada na educação.
 
A parte discente encontra-se em um nível de interesse de aprendizado muito baixa, não é uma regra, contudo, a exceção é muito pouca. Os alunos parecem estar em marte e os professores tentando explicar que em marte não há habitação, por tamanha dispersão. Por outro lado, os centros de educação para adultos estão lotados e os cursos supletivos não são diferentes. O que nos leva a entender que a água demora a bater no queixo, entretanto, uma hora ela chega e bate. É neste momento que a classe estudantil percebe que sem educação não dá pra entrar e se manter no mercado de trabalho.
 
Certa vez, escutei de um professor que educação não se impõe e não se deve impor, mas sim assumida por quem interessar possa. Esta reflexão é necessária para entender a classe docente que esta estressadíssima. Um estresse acentuado, um vulcão em erupção, uma realidade de imposição de saber e de conhecimento, em uma sala de aula que jamais vai dar 100% de atenção. Uma falta de atenção que o estresse não suporta. Desta forma, há choque de interesses.
 
Uma classe de professores que em uma semana, comemora o seu dia, vê a educação não ser assumida por governos e tão pouco por alunos. Os professores estão doentes, com stress e isto tudo se reflete em sala de aula, com discussões e brigas. È a ponta de um iceberg, causada por uma jornada de aulas, sem valorização decente. E por uma máquina administrativa que simplesmente não funciona. A educação em sala de aula nos remete há uma dúvida. Vale a pena estudar para encarar uma sala de aula? Como acadêmico e futuro professor respondo sim. Por acreditar que uma profissão quando é praticada com amor, vale a pena. Por acreditar que a educação constrói e edifica tudo. A observação foi necessária para perceber que não há governo e nem realidade alguma, que conseguirá tirar o meu sonho de ser professor. 
 
O estágio de observação não chega a ser uma constatação, entretanto, é perceptível que a educação está em um estágio de estresse agudo, por parte de professores, que suportam sozinhos o peso de um sistema caótico e tem uma sala de aula com alunos cheios de energias. Qual a solução? Não tenho. A solução é que a educação tem que ser mais valorizada e respeitada não só pelo governo, mas também por toda a sociedade organizada. A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.